Friday, September 08, 2006
[intérprete]
Não é a primeira vez que ela fala por mim:
Estou à procura de um livro para ler. É um livro todo especial. Eu o imagino como a um rosto sem traços. Não lhe sei o nome nem o autor. Quem sabe, às vezes penso que estou à procura de um livro que eu mesma escreveria. Não sei. Mas faço tantas fantasias a respeito desse livro desconhecido e já tão profundamente amado. Uma das fantasias é assim. Eu o estaria lendo e de súbito, uma frase lida, com lágrimas nos olhos diria em êxtase de dor e de enfim libertação: Mas é que eu não sabia que se pode tudo, meu Deus!
-Clarice Lispector-
Thursday, September 07, 2006
[hello, goodbye, see you later]
Como boa amante da vida, dou-lhe esta razão: ela tem umas tiradas fora de série!
Nada de lingüísticas aqui neste cantinho porque, francamente, não as agüento nem no pseudo-curso-matéria-de-letras que hipocritamente digo que faço. Mas existe algo nessa história de hello, goodbye, see you later... O quê, exatamente? Bem... as respostas seriam muitas. Até porque venho aprendendo isso: as respostas são muitas!
E muitas vezes cabe apenas a você achá-las.
Mas, reflexões grudentas e pessoais à parte, ora veja só [due to the numbers of actual comments on this thing, let me just say that i speak for myself here], eu amo essas três palavrinhas. E amo mais ainda quando sabemos a hora certa - e não esqueçam, ladies and gentlemen, a maneira certa - de usá-las.
Há cinco anos atrás - não tão precisos e não tão exatos - eu arrumava minhas malas mais uma vez para retornar para este Brasil adolescente. Na mala, well, estava uma variedade de fragmentos da vida que eu havia levado lá e da vida que eu esperava levar aqui.
No meio disso tudo, um som azul [oh, my dearest color, its been some time, huh?], comprado com o último pagamento em dólar que eu recebera da faculdade em que eu estudava e trabalhava.
Um som 100% meu: diziam meus 22 anos.
E bem, não foi exatamente o motivo que me levou a comprá-lo [até porque já mencionei a cor dele, não é mesmo?], mas eu me lembro que foi um plus a mais [que é para ficar bem redundante]: quando eu o ligo, ele me diz, sempre sorrindo, hello; e quando eu o desligo, ele me diz, já saudoso, goodbye. E esses dois nominhos ficam passeando na sua telinha por algum tempo, que é para se ter certeza de sua intenção [é assim que funciona: existe poesia em tudo, desde que a vejamos].
Não. Não subestimemos a importância dos hello's e goodbye's.
Principamente não subestimemos os goodbyes.
Que na verdade, quando verdadeiros e lícitos, devem ser ditos com a entonação formada por sua própria estrutura: a good bye.
Eles são os melhores.
Eles são um circulo redondinho e querido.
E o mais importante, colegas navegantes: às vezes eles só dependem de você! ;]
E este dia sete, que era para ser verde e amarelo, pois não é que terminou sendo azul?
Meu som azul, meu cachorrinho azul, meu quarto azul, e uma lua enorme e azul lá fora.
Melhor que isso, só os sonhos que estão no meu forninho!
[azul] :]
e como sempre há espaço para um desejo: que saibamos a quem, quando e como dizer essas três palavrinhas.
somos, na verdade, todos mágicos. e o mundo, na verdade, é encantado por nós.
[e, segredo: a Terra veste a roupa do rei]
Sunday, September 03, 2006
[não é bem um segredo]
Que boba que eu sou!
Mas olha só!
Fui ler o último post e me achei tão triste... Que péssima propaganda para alguém que fala por aí que é boba para rir!
E não só fala! Ora veja só! Sou uma risadinha ambulante! Uma boba que ri até de piadas de tomates que cruzam a rua e são amassados!
Ri e ainda sente pena dos coitados dos tomates!
Quem me fez boba assim eu não sei. Mas, tenha sido a Dona S. ou o Sr. A., tenha sido o Cara lá de cima, tenha sido todo mundo junto [afinal, sozinho é que ninguém faz nada], eu gosto da mistura deles.
E ando sempre por aí muito certa de gostar dessa mistura.
Então, quem sabe este post aqui seja apenas uma forma de anular a pitada excessiva de lágrimas do post passado, ou quem sabe seja a maneira de dizer que esta jovem mulher aqui aprendeu que nem sempre vale a pena jogar no universo um momento ruim, ou quem sabe, apenas dizer que já aprendeu algumas coisas é suficiente... [afinal, universo, estou aqui e momentos ruins virão e é em você que tenho que jogá-los mesmo, ora ora].
O fato é que, graças a Deus, sou boba para rir sim.
Uma boba ingênua que acha tudo lindo, ama a vida e se apega fácil demais às pessoas.
E viva a um dia depois do outro.
E que eles continuem vindo.
Saturday, September 02, 2006
:::
[I]
:::
[O Vento]
É uma coisa engraçada, até.
Se o tempo está frio,
Ninguém o quer.
Se está quente,
E ele vem de repente,
É como um sussurro gostoso no ouvido
É como uma lágrima que vem de um sorriso
O vento nunca é indiferente
Sempre se sente o vento.
Ele anda pelo norte
E passeia pelo sul
Dança com as árvores mais altas
E vive de mãos dadas com pequenas folhinhas
Não se pode descrevê-lo
É bem verdade.
Pode alguém pintar o vento?
Mas o vento vem
E faz carinho no rosto
E brinca com bandeiras
E derruba coisas de prateleiras
E inclina a chuva
E leva a poeira para passear.
O vento é um senhor ocupado.
Anda sempre muito atarefado.
A mostrar novos caminhos.
A querer novos carinhos.
A viajar.
Sempre sempre a viajar.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Queria pedir ao vento que parasse um pouquinho em mim.
Mas vento parado não é vento.
:::::
[II]
:::::
[O Vento]
Um assobio no ouvido. Um cafuné na nuca. Uma mão tocando de leve o braço. Roupas balançando. Árvores dançando. Redemoinho de poeira na calçada. Bandeiras vibrando por si só. Crianças e cata-ventos de papel. Pipas flutuando e colorindo o céu. Mão segurando chapéu. Areia indo passear. Papel brincando de avião. Janelas uivando para a lua. Saia dando susto. Calor indo embora. Pássaro voando. Pulmão cheio de ar. Dedo apontando um caminho. Ondas. Vela que aprende a nadar. Molhado que vira seco. Quente que vira frio. Varanda com rede. Cafuné no rosto. Esperança dizendo oi.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Porque em dias de um tom de azul que não gosto, eu tenho o Asdrúbal e o Asdrúbal me tem.
[e até hoje ele não cansou de mim, ora veja só]
[I]
:::
[O Vento]
É uma coisa engraçada, até.
Se o tempo está frio,
Ninguém o quer.
Se está quente,
E ele vem de repente,
É como um sussurro gostoso no ouvido
É como uma lágrima que vem de um sorriso
O vento nunca é indiferente
Sempre se sente o vento.
Ele anda pelo norte
E passeia pelo sul
Dança com as árvores mais altas
E vive de mãos dadas com pequenas folhinhas
Não se pode descrevê-lo
É bem verdade.
Pode alguém pintar o vento?
Mas o vento vem
E faz carinho no rosto
E brinca com bandeiras
E derruba coisas de prateleiras
E inclina a chuva
E leva a poeira para passear.
O vento é um senhor ocupado.
Anda sempre muito atarefado.
A mostrar novos caminhos.
A querer novos carinhos.
A viajar.
Sempre sempre a viajar.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Queria pedir ao vento que parasse um pouquinho em mim.
Mas vento parado não é vento.
:::::
[II]
:::::
[O Vento]
Um assobio no ouvido. Um cafuné na nuca. Uma mão tocando de leve o braço. Roupas balançando. Árvores dançando. Redemoinho de poeira na calçada. Bandeiras vibrando por si só. Crianças e cata-ventos de papel. Pipas flutuando e colorindo o céu. Mão segurando chapéu. Areia indo passear. Papel brincando de avião. Janelas uivando para a lua. Saia dando susto. Calor indo embora. Pássaro voando. Pulmão cheio de ar. Dedo apontando um caminho. Ondas. Vela que aprende a nadar. Molhado que vira seco. Quente que vira frio. Varanda com rede. Cafuné no rosto. Esperança dizendo oi.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Porque em dias de um tom de azul que não gosto, eu tenho o Asdrúbal e o Asdrúbal me tem.
[e até hoje ele não cansou de mim, ora veja só]
Sunday, August 27, 2006
Conto meu
[O Passarinho]
Há algum tempo havia um passarinho que vivia dentro de uma linda gaiola. E muito tempo [depois desse algum tempo] se passaria, e muita coisa lhe aconteceria, até que ele entendesse que gaiola é gaiola, linda ou não.
Mas ainda estamos no tempo em que o passarinho amava sua gaiola.
Aliás, ia além disso. O alpiste fresco, brilhoso até. A variedade de frutas maduras e apetitosas. Inúmeras daquelas pedrinhas de bicar que ele tanto apreciava. Tantas mini-banheiras para seus banhos-brincadeiras. E tudo muito grande. Tudo muito variado. Tudo espaçoso e colorido.
Parecia um sonho, é verdade. Um daqueles paraísos que todo mundo sabe como deve ser, mas, na verdade, nunca esteve em um. O passarinho pensava isso sempre: estava no paraíso. E ele se divertia incrivelmente com tudo. E vivia cada mimo, cada excesso intensamente. Era tudo um sorriso só [se é que passarinho sorri].
Até que chegou o dia [sempre chega, não é] em que o danado do passarinho resolveu olhar além.
Pois não é que além das barras [para não dizer grades, que é algo muito sério] havia mais? Depois de cruzar a gaiola inteira, depois de voar até o alto dela, depois de olhar bem os limites da linda gaiola [porque ele nunca tinha olhado realmente], o passarinho inventou de inventar algo que nunca tinha inventado antes: o que haveria além dali?
E aí, frustrado por não saber, nada da linda gaiola lhe interessava mais. E seu cuidadoso dono, talvez tão lindo como a linda gaiola, fazia tudo para o que o passarinho voltasse a ser serelepe e alegre. Para que o passarinho fosse feliz de novo dentro de sua maravilhosa gaiola.
E quanto mais o dono do passarinho lhe enchia de mimos, mais o passarinho percebia que não era ali que ele queria estar. Ou talvez até fosse, mas ele tinha que primeiro saber o que existia lá fora. Ele tinha que saber o que existia além. Era esse seu maior sonho e era isso que o passarinho queria que seu dono entendesse.
Aquela linda gaiola, aquela enorme gaiola, era minúscula diante dos sonhos do passarinho. E seu dono não percebia isso: não conhecendo o que o passarinho precisava, ele não conhecia o passarinho.
E chegou um dia em que o dono do passarinho, não agüentando mais aquela situação, resolveu aconchegar o passarinho em sua mão. Talvez fosse isso, talvez o passarinho precisasse de mais carinho.
Mas não era disso que o passarinho precisava. E, quando seu dono tentou lhe afagar delicadamente com as mãos, o passarinho se tornou agitado e arredio, e se sacudiu e se movimentou violentamente. Fora de si, o passarinho saiu batendo nas barras da gaiola, bicou o dono, se chocou nos poleiros, perdeu penas nas pedras, machucou o bico na porteirinha.
O passarinho achou a porteirinha. Saiu todo machucado, sem lembrar como se vôa, com muitas penas a menos, com o bico dolorido, mas achou a porteirinha.
Atrás de si, o passarinho deixou a dor de um dono que nada entendeu. Não entendeu a tristeza do passarinho dentro de uma gaiola tão linda. Não entendeu o passarinho não aceitar seu carinho. Não entendeu o passarinho lhe bicar. Não entendeu o passarinho escolher ir embora.
Seria preciso ele conhecer realmente o passarinho para entender tudo isso.
Pousado numa árvore, já muito longe do dono e de sua gaiola perfeita, o passarinho era só dores. Estava muito machucado.
Olhou bem para a árvore em que tinha pousado e viu nela um buraquinho no tronco. Entrou lá e lá ficou por um bom tempo. Dormindo o sono mais longo que já dormira.
E foi quando passou o muito tempo que se passaria.
Um dia, não mais belo que os demais, o passarinho acordou decidido a reaprender a voar. Tirando algumas, que nunca mais cresceriam, a maioria de suas penas havia crescido de novo. O bico tinha uma cicatriz, mas essa já não mais doía.
O passarinho então olhou a sua volta. Sentiu-se dono de si. Os limites que tinha pela frente agora, seriam os limites que ele mesmo se daria.
E o passarinho vôou muito. E o passarinho vôou sempre. E o passarinho era feliz.
Vez por outra, em um momento ruim, o passarinho lembrava da linda gaiola e do bondoso dono que havia deixado tão longe.
E o que ele sentia não eram bem saudades.
O que ele sentia era um pesar, por não poder ter sua liberdade e seu dono juntos em uma mesma escolha.
Se apenas o dono soubesse... pensava o passarinho nesses momentos.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
imagem retirada daqui
Thursday, August 24, 2006
[rezem, orem, pray]
Eu sou contra a entrega gratuita. Realmente sou. Se há entrega, ela deve vir, penso eu, com uma certeza: seja a certeza de um amar grande [no caso de entrega ao outro], seja a certeza de uma guerra realmente perdida [quando a entrega é sinônimo de desistência], seja a certeza de que aquele é o melhor caminho a seguir [quando a entrega é, bem, caminho].
Mas não acredito na entrega gratuita!
Primeiro porque se não há amor, já não há entrega. E vice versa.
Segundo porque desistir oficialmente de algo não é só desistir, mas já ter desistido faz tempo. Afinal, ninguém vence guerra nenhuma se maldizendo por estar nela.
Opto pela perfeita frase do antropólogo Carlos Castañeda:
"A diferença fundamental entre o homem comum e o guerreiro é que o guerreiro encara tudo como desafio, enquanto o homem comum encara tudo como bênção ou maldição".
Terceiro porque, quando entregar-se é só o que podemos fazer [e existem sim esses momentos], que o façamos com convicção.
Mas não acredito na entrega gratuita. Eu sou muito macha para isso [isso mesmo: eu coloquei macho no feminino, contradição de termos que seja]. Ou muito orgulhosa. Ou muito geniosa. Ou simplesmente chata e teimosa. Não importa. Adjetivos ruins às vezes servem para o bem.
O fato é que, acreditem, acreditem: rezar às vezes é o que nos resta.
Ninguém verá o mundo pelos olhos que queremos que vejam a não ser que escolham por si próprios esse ângulo. E isso geralmente significa viver uma situação que os coloquem em tal posição.
Rezar para mim é isso: uma entrega.
Existe um Ser bem maior que eu. Um Ser verdadeiramente belo.
E Ele tem muito o que fazer.
Ele sempre tem o que fazer.
Entretanto, mesmo que eu peça, vejo que Ele não precisa cuidar de mim sempre.
Mas que Ele cuide de mim quando eu não puder fazê-lo.
Que Ele cuide dos meus quando eu não puder.
Há muito o que fazer.
Para mais de um.
E se Ele não andar por blogs, que escute o que Lhe falo no ouvido.
Por favor.
[simples]
Diálogo entre Minduin e Patty:
- O que você acha que é o amor, Minduim?
- Bem, há alguns anos meu pai tinha um Sedã preto 1934 de duas portas...
- Mas o que isso tem a ver com o amor?
- Espera, deixa eu falar o que ele me disse!
Havia uma garota muito bonita, sabe? Ela costumava pegar carona com ele. Sempre que ele a convidava, ele abria a porta do carro pra ela, depois que ela entrava ele fechava a porta. Depois ele passava por trás do carro e ia pra porta do motorista, mas antes dele chegar lá, ela esticava o braço e trancava a porta, deixando ele pra fora. Depois ela ficava ali fazendo muitas caretas e sorrindo. Isso que eu acho que é o amor!
- As vezes eu me preocupo com você, Minduim!
Wednesday, August 23, 2006
Sunday, August 20, 2006
[fotografia]
Texto meu.
E eu mesma, também.
Meu Sorriso,
Primeiro de tudo, obrigada! Obrigada por te ter tão presente em minha vida. Obrigada por você ser tão essencial a mim. É bem verdade que não sei o que faria sem você aqui, em mim, sempre [ou quase sempre].
A respeito do quase, me perdoe pelas vezes que lhe mando embora. Pelas vezes que lhe expulso de mim: mas, você sabe, dores às vezes chegam sem avisar, e você, amante perfeito, deve ser escondido em tais horas. És muito belo. Tão belo que o feio não pode existir junto a ti. Eu não deixaria. Tu não suportarias.
Mas, grande amor, que bom é quando você retorna! Me enfeita os lábios, me ilumina os olhos. Deixa o corpo pesado, tão leve! Faz cócegas na alma.
Você, querido, que ama crianças e coisas bobas. Que aparece, sapeca, quando lembra de algo, quando quer falar algo de bonito. Você, que muitas vezes toma para si a missão de enfeitar o mundo, de criar o belo, de mostrar afeto, carinho, conforto... Você que sabe virar abraço.
Você que ama e que também faz chacota. Que sabe até usar de alguma pimenta, mesmo que branda. Afinal, você é também falho.
Você, sorriso lindo, que me ilumina. Que consegue ser a mais bela parte de mim, pois é, verdadeiramente, a janela de minha alma. É você que me mostra ao mundo como sou. É através do que lhe traz a mim, que devo ser julgada. És assim, querido, tu o meu advogado.
Assim, sorriso meu, grito aos ventos a alegria que me trazes por apenas existir. Em saber quando chegar. E até quando sair. Por respeitar meus momentos. Por lutar tão bravamente pela minha existência. Por minha paz.
Eu sei. Tu não existes sozinho, eu sei. São tantos os que te controlam, não é? Tantos os que te fazem sair e chegar. Tantos os que te colocam no colo e tantos os que te machucam. Eu sei. Eu sei que és sensível. Que dependes também de outros sorrisos. De teus iguais. De teus queridos. E por isso te admiro ainda mais: porque mesmo quando perdido, encontras teu caminho de volta para mim.
E é você, querido sorriso, a razão de tudo. Tudo de belo que existe em mim vem através de ti. Você é o reflexo do que lhe traz. Por isso és, mais que tudo, um mensageiro.
Meu sorriso, tu sabias que és quase eterno? Que o teu tempo é a maior lembrança de mim? Pois haverá um dia eu que eu já terei ido, mas tu, grande amigo, continuarás para todos os que te receberam.
[minha vez]
Minha vez de usar as palavras dela.
Qualquer amizade boa tem que ser muito bem tratada. E amizade não funciona de um para outro, só de dois para dois. E isso é simples e traz a maior felicidade do mundo.
Porque com isso ela disse tudo o que precisa ser dito sobre o assunto.
[Palavras são assim: podem ser perfeitas, e nem por isso deixarem de ser tristes.]
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
[E este não era bem o post que eu tinha reservado para hoje, mas as palavras do outro não serão esquecidas. Há tempo para tudo.]
Wednesday, August 16, 2006
Tuesday, August 15, 2006
[brainstorming]
Porque tudo neste mundo cotidiânico é uma questão de idéias:
Sua história seria a coisa mais boba do mundo, se ele não soubesse contá-la como a mais perfeita Scheherazade:
http://oneredpaperclip.blogspot.com/
a.m.o
.
se ainda existir alguém para mim:
[Não é complicado]
vai lá
me diz o que quer
me fala tua fala
me mostra tua voz
me olha no olho
me encara
vai
luta
defende
grita
te mostra
aparece
desconta
desperta
vai
solta o preso
sente
reage
vai
não guarda
não silencia
não esconda
não seja estático
não enterre
não suporte tudo
vai
cresce
esbraveje
estoure
se coloque
se imponha
vai
aperte
empurre
mande
seja certeza
seja voz
seja presença
vai
se ache
e então
me ache
porque é isso o que quero.
14/08/2006
em troca [porque tudo é uma questão de dar e receber]:
alguém que poderá ser quem é, porque será podada quando for o que não devia ser.
[e todos precisam ser podados de vez em quando para crescerem melhor e mais bonitos]
______________________________________
ela sabe perfeitamente sobre o que falo
> e não, não sei todos os por quês, e não acredito na falta de doçura, mas estou lá quando me precisam, e preciso que o contrário também exista.
> eu quero, de vez em quando, poder só observar.
[Não é complicado]
vai lá
me diz o que quer
me fala tua fala
me mostra tua voz
me olha no olho
me encara
vai
luta
defende
grita
te mostra
aparece
desconta
desperta
vai
solta o preso
sente
reage
vai
não guarda
não silencia
não esconda
não seja estático
não enterre
não suporte tudo
vai
cresce
esbraveje
estoure
se coloque
se imponha
vai
aperte
empurre
mande
seja certeza
seja voz
seja presença
vai
se ache
e então
me ache
porque é isso o que quero.
14/08/2006
em troca [porque tudo é uma questão de dar e receber]:
alguém que poderá ser quem é, porque será podada quando for o que não devia ser.
[e todos precisam ser podados de vez em quando para crescerem melhor e mais bonitos]
______________________________________
ela sabe perfeitamente sobre o que falo
> e não, não sei todos os por quês, e não acredito na falta de doçura, mas estou lá quando me precisam, e preciso que o contrário também exista.
> eu quero, de vez em quando, poder só observar.
Monday, August 14, 2006
Achei hoje, dentro de um caderno antigo.
Estava sem data, o que é incomum, mas acho que é de 2003.
E continua a dizer muito sobre mim:
[Senti-lo-ei]
Glória a ti,
Que do alto de seu poder
Me controla.
Glória a ti
Que me faz escolher os caminhos
Que é dono de meu riso e meu choro
Glória a ti
Que entre erros e acertos
Me diz quem eu sou
Glória a ti
Que distribui sorrisos e lágrimas por mim
Glória a ti
Que me sussurra as escolhas
Que me guia os acertos
Que me consola os erros
Glória a ti
Verdadeiro eu
Que entre batidas ritmadas
Rege meu tempo
E escreve minha história.
Sunday, August 13, 2006
[quando chega o limite]
Tenho medo. Muito medo.
A meu ver, já há algum tempo vejo o Brasil caminhando para uma guerra civil.
E não será uma guerra primordialmente liderada por cidadãos comuns lutando por um governo mais justo.
Será uma guerra dos que há muito são excluídos de tudo, dos que há muito sofrem todos os tipos de castigos sociais, dos que não têm nada, contra os que têm tudo.
Mas, quando essa guerra acontecer, nada será poupado. Até porque, dadas as inúmeras falhas do Brasil e a inexistência de políticas sociais verdadeiramente profundas, essa guerra só fará sentido se tudo for destruído. Se tudo for demolido para que se comece do zero.
Cairão e sofrerão as consequências todos os que não tiverem dinheiro e tempo para fugirem para o exterior. E as classes hoje à margem, farão questão de humilhar a todos os que tiverem medo*. Porque os que terão medo serão todos os que não estarão com eles.
E dado o total caos da situação, o Brasil mais uma vez não conseguirá consertar o problema, não terá como conter as massas enfurecidas e o caos que toda guerra traz.
E os outros países se verão na condição de intervir no corpo a corpo da situação. Tropas chegarão, bombas serão lançadas, ordens serão dadas. O Brasil será destruído. As massas que tanto sofreram, sofrerão mais uma vez. Tudo ficará vermelho.
E no fim disso tudo, é provavel que nenhum de nós mais existiremos. Mas os que restarem, terão o país que veio "lutar por nós" [advinha que país será esse?] a comandar literalmente as terras em que fincou bandeira e ganhou em batalha.
_____________________
E o pior de tudo: essa realidade já começou.
* vejam Cubas e seu Prudêncio
> oxalá que essa seja uma visão viajante e pessimista da coisa, e que na verdade o futuro de nosso país trapalhão se mostre bem diferente!
[aquele homem]
É o símbolo em si. Fonte de tanto quanto guarda o espírito humano: amor, medo, controle, exemplo, dedicação, bobagem, ilusão, desilusão, força, fraqueza, colo, cuidados, sorrisos, raivas... Suas dicotomias são infinitas. Cada um tem um e cada um sabe o que tem. E os que não têm ou nunca tiveram, ou fantasiam sobre ele, ou sentem saudades, ou dão graças dele ter-se ido.
Não são sagrados, pois são, aprendemos, falhos.
Mas nos representam, bem ou mal, origem.
Os que os têm como exemplo do bem, que graça, crescem tendo nele fonte de inspiração.
Os que os têm como não-inspiração, o usam também como exemplo do que não deve ser seguido.
Mas, no entanto, sejam como forem, são suas ações para conosco uma grande parte de quem somos. Do que respeitamos ou não em um homem [sejamos homem ou mulher], do que concordamos ou não em um ser humano, do que admiramos ou não, de nossas noções do que caracteriza ou não um líder.
Não é preciso buscar fontes psicológicas, não é sequer necessário falar em Freud.
Esse homem, nosso pai, sabemos, já foi reponsável por muitas de nossas alegrias ou tristezas.
Aprendemos ao longo da vida que esse significado se extende infinitamente no campo simbólico: pai Deus, pai Tempo, pai Conhecimento, pai Fome, pai Dor, Pai Dinheiro, pai Poder...
Suas catalogações beiram o próprio imaginário humano. Pode ser tanto quando o que pode ser concreto ou pensado.
Aos felizardos da vida, existe um exemplo mais próximo, mais palpável, mais real: um pai que foi sempre [ou aprendeu a ser], amigo.
À esses, merecedores do dia de hoje, muitos sorrisos, por serem simplesmente belos.
Sunday, July 30, 2006
[expectativas]
Existem duas comunidades no orkut que, por mais que vez por outra me tentem, eu sempre percebo que não caibo nelas: odeio politicamente corretos e odeio pseudo intelectuais.
E as razões são até bem simples: 1. uma vez que sei tão superficialmente sobre a maioria dos autores que cito, me qualifico instantaneamente como uma pseudo-intelectual [embora saiba a linha que me separa dos sem-noção] e 2. sou politicamente correta [e isso sou praticamente cem por cento].
Por que resolvi começar assim um post que fala sobre expectativas? Hummm.. Give me a minute... Ah, porque uma fina linha separa isso tudo...
Na minha opinião, todos nós temos nossos momentos de pseudo-intelectuais, de politicamente corretos, de caretas, de equilibrados, de mentalmente debilitados...
Todos nós vivemos papéis de mocinhos e de vilões ao longo de nossas vidas.
E as expectativas, bem, já me disseram que o melhor é não criá-las, que elas só atrapalham, que só servem para que inevitavelmente se transformem em decepção.
Já tentaram me passar a filosofia do não espere nada de ninguém.
Já até me disseram que a culpa é de quem cria as expectativas, e não de quem não consegue atingi-las.
Como boa mulher politicamente correta digo: não acho que haja culpados.
Acho que o que existe são visões diferentes. Desejos diferentes. Olhares diferentes sobre o momento e a situação vivida.
Mas acredito sim nas expectativas.
Aliás, as tomo quase como uma filosofia.
Sim.
Amo esperar o melhor das pessoas que amo. Adoro ser surpreendida por elas. Amo vê-las crescerem diante dos meus olhos. Se transformarem em borboletas que voam cada vez mais alto.
Não esperar nada de ninguém? Hã? Não, não eu. Sinto muito, mas não eu. Eu espero sim. Espero por simplesmente conhecer as pessoas de quem espero. Simplesmente por saber ver sua beleza, sua imensidão, sua grande capacidade de ser incrível.
Se já sofri por isso? Claro! Se já me decepcionei? Sim.
Ainda assim, vejo as expectativas como combustível de sonhos.
E crio expectativas em torno de mim mesma até: me dando prazos específicos para atingir tal meta, imaginando o que quero para mim, para minha vida.
Se vou frustrar essas expectativas? Algumas sim. Outras não.
Mas como elas sequer poderiam ser consideradas possíveis de serem realidade um dia, se não as criasse?
Não criar expectativas? Por favor!
Se há alguém que devesse gritar isso, seria a vida. Não as pessoas. Não as pessoas.
Somos criadores de expectativas naturais.
Do que queremos do nosso amor, dos nossos amigos, do nosso trabalho, dos nossos planos, dos nossos filhos, dos nossos irmãos, dos nossos pais, do nosso dia, até.
Óbvio que vivemos em um mundo aonde a desconstrução é bem mais comum e acessível que a construção.
E expectativas não atingidas às vezes nos levam a um caminho de desconstrução que, quando levado a extremos, é muitas vezes sem volta.
E há que se ter cuidado com isso.
Momentos devem ser respeitados. Essências devem ser reconhecidas. Deve-se saber o que se quer e, uma vez certos disso, segurar firmemente.
Mas é bom saber que as expectativas são sim como uma bandeira de reconhecimento.
Expectativas nunca atingidas não são um bom sinal.
Porque a verdade é, receio, que expectativas são muitas vezes um indicativo não apenas do que se espera, mas do que se quer.
E não falo apenas emocionalmente, mas racionalmente: são um sinal do equilíbrio entre o que se dá e o que se recebe.
Do que é e do que poderia ser.
E nós todos temos os mesmos medos: de não conseguirmos ser felizes, de acabarmos sozinhos, do nosso amor nos deixar, dos nossos filhos se tornarem pessoas tristes, de nos tornarmos amargos, de não sermos bem-sucedidos, de não termos o dinheiro necessário no fim do mês, da morte, de adoecer, de envelhecer sozinhos, de engordar demais, de não conseguir realizar nenhum de nossos sonhos ou planos, de se machucar, de perder o que achamos importante...
Não criar expectativas? Isso não me parece sequer lógico.
No entanto também não parece nada simples, não é?
Mas, em se tratando de humanos, o que é?
Só sei que continuarei criando expectativas.
Até porque, quando acordo de manhã, eu quero ter um bom dia.
Friday, July 28, 2006
[vale a pena relembrar]
São posts passados. Palavras já publicadas. Sentimos cíclicos.
Ollhando o ontem pela casa mãe, resolvi re-postar coisas antigas.
Tão bom lembrar que algumas coisas não são mais importantes e que outras sempre serão! :]
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
[Vê]
Chuta o balde
Que te enche a mente
Canta a música
Que te faz crente
Dá adeus
Aos apertos de mãos
Às caras fechadas
Às expressões amarradas
Em si
Sua teu suor
Válido
Emite o som
Que conta [e canta] [e encanta]
Ama as glórias e as perdas
Chora as lágrimas e os sorrisos
E produz teu sal
É essa tua única certeza
É esse teu sonho
Teu dinheiro
Teu bem
Clama à tua vontade suprimida
À teu sentimento escondido
À teu engatinhar
E então,
Lava tuas mãos
E arruma teus cabelos
E coloca um pé em frente ao outro
Um pé em frente ao outro
Um pé em frente ao outro...
19 de Maio de 2004
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
[Pálpebras Fechadas]
Carinhos
Doces palavras que abraçam
Que sussuram no ouvido
Um som azul.
Fechar os olhos
É comprar bilhete
E viajar.
30 de Agosto de 2004
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
[Para nós que vivemos de um lado para o outro]
Calma. É uma palavra mágica e é o que se precisa no mundo. Falo também por mim. Falo também tentando convencer e conscientizar a mim. Calma! Vamos com calma! Tenhamos calma com a vida, com os problemas, com os desafios, com as derrotas, com as vitórias, com as pessoas... Acima de tudo, com as pessoas... Essas pessoas burras, insensíveis, hipócritas, falhas, como todos nós somos... Calma... Porque a vida é a junção de minutos, de momentos... nada mais... Calma, porque não sabemos sobre o hoje ou o amanhã e porque até o passado não entendemos... Calma por sermos tão finitos, tão rasos, tão cheios de falta de percepção. Calma, com a própria calma: equilíbrio. Calma com o mundo, calma com as guerras, calma com o dinheiro, com a glória, com a miséria, com o sim, com o não... Calma por sermos sozinhos em nós...Por esperarmos tanto: tão mais que o que podem nos dar... Calma por sermos tão bobos, tão lindos, tão loucos... Calma por acreditarmos ou por deixarmos de acreditar... Calma por sermos bons e maus em nossa essência... Calma por sermos humanos... Apenas, calma. É disso que precisamos.
13 de Junho de 2004
***************************************************
perfeito: meu pai abrindo a porta do meu quarto e dizendo com um sorriso absolutamente lindo "diz aí, mestra!"
meu garoto, meu garoto! Como te amo! Como te amo! :]
Sunday, July 23, 2006
[obrigada]
Na vida temos alguns desses preciosos momentos: de pessoas queridas que nos dão exatamente o que estávamos precisando; que falam as palavras que o cérebro ecoou mil vezes, mas que precisava ouvir da voz de outra pessoa para se assegurar de sua veracidade.
Em momentos de incerteza, que tanto pesam e em que tantos caminhos parecem ser o certo, é às vezes uma voz dessa que lhe faz perceber um elemento antes não visto com tal relevância. E é preciso que seja uma voz amiga a lhe jogar na cara uma verdade encoberta para sua própria defesa.
Hoje passei o dia escondida do mundo. Causei estranheza a todos os que tentaram se comunicar comigo durante o dia. Meu quarto, meu templo. Meu cérebro, meu algoz.
À noite, um telefonema querido me soou como um abraço. "Vamos?" "Vamos". E fui.
E derramei o balde inteiro dos pensamentos diurnos. E chorei e me deixei ser insegura, e me deixei ser caos.
E fui carregada no colo. Que delícia. Fui carregada no colo.
Não com uma passada de mão na cabeça [que, confesso, me faz arredia], mas com verdades ditas a mim com a franqueza de quem me conhece, de quem sabe de mim, de meus defeitos, de minhas ações, de meus por quês.
E ela me abençoou com a verdade e me mostrou com clareza que meus pensamentos tinham razão de ser.
E eu que saí de casa tão pesada, tão calada, tão incerta, voltei, pela primeira vez em tanto tempo, renovada, recarregada, com pé fincado ao chão e peito cheio de ar.
Ela me faz crescer.
E eu a amo.
[o ponto]
um pequeno pontinho
assim, mesmo pequenininho
traz juntinho consigo
todo um grande final
.
um pequeno pontinho
grita no fim da palavra
fecha a boca que fala
e mostra que é um sinal
.
um pequeno pontinho
mesmo todo redondinho
chega forte e paralisa
o diálogo mais normal
.
um pequeno pontinho
é assim necessário
para um novo Começo
para que haja um final.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Porque só podemos entrar em um novo caminho, quando saímos do antigo.
E essa é a decisão que tomei.
Subscribe to:
Comments (Atom)
Quem Balança:
- LANA NOBREGA
- |Um Portfólio à la Manoel de Barros| Para pensarmos juntas. Lermos juntas. Sermos juntas. Sapatilhando pelo mundo com as bandeiras da existência da diversidade humana: LGBTQIA+, antiracista e feminista e, sempre, sempre de esquerda. Se posicionar no mundo é criar perspectiva de observação e ser social e politicamente situada. Tudo é político. Meu corpo e o seu. Sua existência e a minha. Aqui misturo tudo. Se te fizer sentido, vem junto comigo!
