Monday, March 19, 2007

[dia de varanda]


[discrição]

olhei-o
sem sabê-lo até eu
olhei-o

a indagar o passado
a relatar o presente
a apostar o futuro

olhei-o
acompanhando seus passos
o arrastar de sua existência
a coerência de seu julgamento

olhei-o

nem alegre
nem triste

olhei-o apenas
certa de que ele sempre existirá.

19/03/2007

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[vivas]

porque o romanesco contagia
entra nos sonhos sem permissão
briga com o dia a dia
frustra-se com o real

vivas pelo que se viva

que os sorrisos deixam-se sempre a depender de algo.

19/03/2007

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[volta]

conta-se
um, dois, três...
arrasta-se
impõe-se
pinta o pelos
risca a pele
fere
cura
traz lembranças do que não mais é
[mas que nunca deixará de ser]
é guardador de tanto
é depósito da existência
até que essa deixe de existir
e ainda assim guarda o que foi permitido registrar

pois que se registre.
pois certas coisas merecem ser eternas.

19/03/2007

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[não fui eu]

não fui eu quem disse
o que deveria ser dito
não fui eu quem consertou
o que deveria ser consertado
não fui eu quem escreveu
o que deveria ser escrito
não fui eu quem percebeu
o que deveria ter sido percebido
não fui quem acreditou
no que dever
ia ter sido crido

mas fui eu quem sonhou
exigente e geniosa
ingênua e irresponsável
ser resgatada do fogo que queimava.


19/03/2007

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[janela]

que às vezes
basta um pequeno espaço
um buraco quadrado
a atravessar a parede
e mostrar o mundo
que existe além.

19/03/2007

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verdade do dia:










Friday, January 26, 2007


["children see"]

é um vídeo forte.
e verdadeiro.




~~~
e outro para amenizar o peso do anterior.



Thursday, January 25, 2007


[re-visita]

Ao título deve-se uma explicação [aliás, pensando bem, acho que essa é uma verdade estável]: parece-me que já vivi e senti tudo o que hoje vivo e sinto. Os sentimentos vêm, se misturam numa gororoba feia, marrom, gosmenta e tudo o que meu cérebro faz é anunciar solene e frio como uma lâmina de metal: você já trilhou esse caminho, já praticou os mesmo erros, e até as mesmas conclusões serão ditas a seu respeito.

E isso dói.
Dentro de mim e em um idioma não perceptível aos outros, mas dói.

E há tanto o que eu quero falar, mas acho que só nesse ponto sou jornalista: sou, na verdade, uma auto-censurada.

No entanto, eu sou grande entusiasta da vida: se tudo isso já me veio antes, eu também sei que sobrevivo.
Não saio inteira [nunca saio, até porque não saio a mesma], mas sobrevivo.

Uma vez [para falar a verdade, a ouvi várias vezes, em vários momentos, dita por várias pessoas] ouvi a frase: ninguém é insubstituível.

Discordo plena, expressa e fortemente dessa frase.

Aliás, acredito e sinto exatamente o oposto: todos [e cada um] são insubstituíveis.

E sofro terrivelmente com cada perda que a vida me traz.

E aqui não falo de uma perda específica.
Ou não falo também de uma verdade universal que caiba a todos.
Generalizo uma temática.

Lembro-me de uma anedota para lá de verdadeira que ouvi ou li em algum lugar:

Meu filho, se lhe chamarem de cavalo uma vez, dê-lhe um soco na cara.
Se lhe chamarem de cavalo uma segunda vez, xingue-o de algum outro nome.
Se lhe chamarem de cavalo pela terceira vez, comece a relinchar.


Simplesmente há vezes em que o mal, o defeito está em nós mesmos.
E são precisos fatos repetidos e constantes para que vejamos isso.

Eu decidi que não quero só entender.
Aliás, desisto de entender.

E passei muito tempo da minha vida com um desejo apenas [porque os outros desejos eu tinha -- e tenho -- a certeza dentro de mim que com minha luta eu mesma conseguiria]:
ser entendida.

Mas, como veio na frase que uma amiga querida mandou:

"Nasci careca, pelado e sem dente ... o que vier é lucro"

E eu até que consigo tirar lucro da vida.





Saturday, January 06, 2007


[sobre a arte de recomeçar]


Este não se pretende ser um texto de auto-ajuda. Mas pode ser que acabe por se tornar um quando eu o terminar de escrever. Porque, queridos, no fim, somos nós quem nos ajudamos mesmo. Ajuda alguma que a vida nos dá, pode ser recebida sem que seja por nós permitida. Assim, toda ajuda termina por ser uma auto-ajuda.

E nós, nós somos artistas mestres. Somos criadores de obras-primas atemporais. Somos fazedores do tempo.

A cada novo passo, a cada nova escolha, a cada perda [pois são elas as maiores responsáveis pelas transformações que acontecem em nós], a cada aprendizado, a cada sonho realizado, nós, artistas, inventamos a arte de nos criar novamente.

Não falo aqui da metamorfose do fantástico Raul. Não acho que somos seres metamórficos. Embora sejamos ambulantes: peregrinos da estrada que aceitamos trilhar.

A metamorfose é instintiva, não é sentida ou pensada. A metamorfose se opera em nós, e não nós nela. É seguir pulando com cada nova multidão que aparecer.

Já o recomeço, o recomeço é uma atitude. É sentido, muitas vezes nos custa, é sofrido, pensado, refletido, requer garra, escolha, perseverança.

Somos nós que operamos, que entramos em ação, na hora em que decidimos recomeçar.

E, sim, somos vários ao longo da vida. Somos o vento a carregar as várias e diferentes partículas dos locais por onde passa, a levar em si um pouco de tudo o que tocou.

Somos o vento que ora é dança, ora é briga, ora é desastre, ora é brisa, ora é frio, ora é leveza, ora é horror. Somos o vento que muda de acordo com o tempo que vive.

E, quase que sem escolha, se nossa escolha é interagir com a vida, seguimos recomeçando.

E não recomeçamos porque o presente é ruim. Recomeçamos porque sentimos a necessidade de fazê-lo.

Podemos passar anos a fio na mesma situação que nos comprime, magoa, castra, entristece, cala, sufoca e não nos permitirmos recomeçar. Porque somos seres bonitos: às vezes achamos que só merecemos aquilo, que só aquela realidade nos é permitida. Ou porque estamos assustados: até que ponto é bom o desconhecido?

Recomeçar significa abandonar quem se era e vestir-se de um novo eu.

Significa lutar por novos sonhos [é impossível ao que não tem sonhos recomeçar].

Mas aos que conseguem ou se permitem interagir com a vida, chega um dia em que falamos para dentro: basta.

E ao sentir isso, já recomeçamos.

E ao que se permite recomeçar, vai um aviso: sempre serão necessários novos recomeços.

Não recomeçamos porque perdemos, recomeçamos porque crescemos. Porque a linha de chegada está agora em outro lugar.

Recomeçamos porque somos artistas: e artistas têm sempre que criar novas obras.

Recomeçamos porque, para estar ao lado de quem amamos, precisamos sempre nos adaptar uns aos outros: afinal, todos recomeçam de novo e de novo e ninguém recomeça sem estar de mãos dadas com os sonhos que lhe enfeitam o travesseiro.

Recomeçar é colocar a caneta na mão e iniciar a escrever uma nova história.

Recomeçar é perceber que a única coisa que a última história ainda precisa, é do ponto final.



imagem retirada daqui
e a do post anterior, cujo crédito eu esqueci de colocar, é de autoria do meu querido mestre, o cartunista argentino Quino, criador da Mafalda

Thursday, January 04, 2007


[lá lá lá lá lá lá lá]





"Why worry, there should be laughter after pain
There should be sunshine after rain
These things have always been the same
So why worry now
"

Saturday, December 30, 2006

[o mais belo]

Escrever para mim é viajar por dentro. É entrar na montanha russa dos vasos que percorrem meu corpo. É tirar a carapaça grossa, é fazer-se frágil e tímida e ser a mais pequena das criaturas.

Escrever para mim, é ser quem não vêem que eu sou, é virar personagem de mim mesma, é tentar amontoar, amassar, encaixar tudo o que não pode ser amontoado, amassado, encaixado. E essas palavras sempre falham em dizer tudo o que precisa ser dito.

São um recorte da realidade apenas. Uma edição. Dentre tantas possíveis.

E eu, que estou sempre fazendo turismo em mim, aprendo e desaprendo com essas palavras.

E têm vezes que elas querem me agarrar pelo braço e sair de joelhos pedindo perdão a todos os que queria ter perto; têm vezes que elas se vestem de raiva, e querem usar todos os palavrões que só aos gritos poderiam expelir um pouco da mágoa e frustração e dor; têm vezes que elas, fracas, são tomadas por uma auto-piedade, por um não-pertencer, por se achar eterna estranha nesta terra azul.

Têm dias que elas acreditam no amor. Acreditam que é possível que duas pessoas se encontrem e passem o resto de suas vidas se re-conquistando, vencendo os defeitos e os mal-entendidos e as fraquezas de cada um. Têm dias que elas têm a certeza de que o amor não é para aqueles que gostam de escrever sobre ele. Que quem o observa, não o vive. E quem o vive não precisa se deter a observá-lo.

Essas palavras que criam teorias que ninguém escuta. Que física alguma se interessaria. Essas palavras que se sentem a mais só das criaturas. Que vão dormir agarradas ao travesseiro e olham para as estrelas sonhando que talvez um dia possa existir alguma vida que lhes dêem um senso de completude. Essas palavras tolas. Que acreditam tão facilmente em tudo. Onde qualquer sorriso é permissão de entrada.

Essas palavras que já sabem quais serão as últimas palavras que serão escolhidas: sempre acreditei na vida.

Porque as palavras e a vida estão sempre em um ringue, com luvas vermelhas nas mãos e nem sempre têm protetores nos lábios e na cabeça, e nem sempre os golpes são justos ou corretos ou éticos. Mas quando chega a hora de contar até dez, entre a vida e nossas palavras, são nossas palavras que devem ganhar e se levantar primeiro. E não tenham dúvida: a vida esperará que nos levantemos e só não será por nós se nós mesmos não o formos.

E disso as palavras sabem, e isso as palavras cantam, e por isso elas têm em si o mais belo nome: amanhã.

E o amanhã pode ser o próximo minuto, pode ser o próximo ano, pode ser o futuro, pode ser o que acabou de chegar: o amanhã é a certeza de que o hoje vale e de que muitos sorrisos ainda enfeitarão nossos lábios. O amanhã é a essência do ser homem: é acreditar que as pequenas coisas fazem essa jornada valer a pena. O amanhã é a caixinha aonde guardamos os sonhos e planos que só nele cabem.



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que o amanhã que agora chamamos de 2007 venha enfeitado de muitos sorrisos e surpresas boas.

Friday, December 22, 2006


[Para as Jornalistas de Hoje]

Um sorriso meu de orelha a orelha pelo canudinho de vocês!!! :]








Monday, December 18, 2006


[jangada]

Olha, ai daquele que não puder [um dia] dizer que é gente grande

[mesmo que num futuro ainda longe]

porque a regra é simples: quem não pode falar, tem que apenas escutar.

E, convenhamos, nossa voz precisa sair. Precisa sair.

Sunday, December 17, 2006


[a vejo em um samba]

que deixa alegre qualquer tristeza ;]


O que será de nós

Amanheceu
E agora
O que será de nós
No novo dia

Já dois estranhos
Sem um por quê
Já dois passados
Sem um querer

Amanheceu
E agora
O que será de nós
No novo dia

Já não se fazia mais
Essa quantia
Essa dor tardia
De quem não se quer mais

Amanheceu
E agora
O que será de nós
No novo dia

As mãos não se dão mais
Os sorrisos não querem aparecer
E até a raiva já não quer acontecer
É só o cansaço de dois cansados

Amanheceu
E agora
O que será de nós
No novo dia

O sol já decidiu entrar
Mas não veio iluminar
Os olhos molhados
Cansados de tentar

Amanheceu
E agora
O que será de nós
No novo dia

Feita esta manhã
Se foi a noite que escondia
Dentro de si
O fim
O fim
O fim.


17/12/2006




[porque ela era uma gigante]

porque tudo o que nos parece mágico, a gente tende a enfeitar.

[e eis a maior utilidade das palavras]

e porque no fim, é para essas coisinhas que nos matamos de trabalhar.

Wednesday, December 13, 2006


[corta!]

um doído no peito

e a vontade de um colo.







Friday, December 01, 2006





we are all one
or should be

Thursday, November 30, 2006


[hoje é dia de poesia]



o outro travesseiro

é dentro do silêncio
é dentro dele
que escuto sua voz

é sozinha
que sinto o seu toque
é quando estou só
que você está comigo

é em sonho
que o real existe
é em sonho
que estou acordada

é no não-tempo
(que o relógio não marca)
é nele
que tudo se faz eterno

e te tenho para sempre
ao meu lado.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

paisagem

não falarei de flores
não trarei o lírico
para te falar

não desenharei em vermelho
ou adoçarei tua boca

não lhe darei silêncio
não lhe mostrarei o caminho
não direi sequer
que não me conheces

não te direi sim

não farei nada
do que já fiz

não serei nada
do que já fui

e quando não estiveres olhando
te olharei

porque é destino do caminho
deixar a paisagem passar.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

trocadilho

a palavra
som que sai
tinta que escreve
luz que preenche

o som
onda que vem
faz carícia no ouvido
fala em tom conhecido

a tinta
que mancha de sentido
costura o diálogo
desenha o sorriso

a luz
que pinta o colorido
organiza o tempo
fabrica o tecido

a onda
que abraça e vai
faz carinho e sai
brinca que vai e volta

a mancha
que teima estar solta
mas que organizada
vira coisa estampada

a tinta que pinta
o tempo nas horas

o abraço que abraça
nas horas que a graça
precisa de um sorriso.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~



e agora uma que não é minha:

um poema clássico* de E.E. Cummings e que fala por todo amor verdadeiro:


"here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart

i carry your heart(i carry it in my heart)"

~~
* fragmento. para a poesia inteira vá aqui.


[dois grandes amores]





Porque tenho um pouquinho das duas em mim
e porque sou uma pessoa também formada de saudades.
E relembrar um sorriso é sorrir novamente.

[e então é época de simone]

Último dia do penúltimo mês. As aulas estão em seus finalmentes [duas semanas mais de labuta], o interno de todos os ambientes da cidade estão enfeitados de vermelho e dourado, as noites já estão cheias de luzes, as casas já começam a colocar os planos nas mesas: vamos fazer isso, vamos para tal canto, depois para tal, fulaninho vai levar isso, nós vamos levar aquilo.... e um súbito espírito de humanidade paira no ar.

Amo essa época do ano.

Amo a reunião das famílias.

Amo ver as crianças abrindo seus presentes pipocando de animação.

Esta noite eu sonhei que tinha um filho. Coisa rara. Explico: é que sempre em 'sonhos de ser mãe' [que acontecem vez uma ou duas vezes por ano] a cria é uma menina. Desta vez não. Pela primeira vez foi um menino. Um menino lindo e levado. E nós dois brincávamos de corre corre, de cavalinho... E depois, banhadinho e de pijama, ele dormia ao som das minhas histórias - que eu ia criando à medida que lhe contava.

E, como fim de ano é época de balanço mesmo, devo dizer que o filho do sonho talvez anuncie essa nova Lana que 2006 trouxe. Termino este ano extremamente longo - onde parece que vivi mil vidas - absolutamente diferente de quando o comecei.

Lembro-me que na virada do ano passado, a única coisa que eu tinha a dizer a respeito do 2006 que se iniciava era que tudo nele era um ponto de interrogação. Mal sabia eu os caminhos que ele me traria. Foi um ano complexo, este. Mas, ainda assim, um ano que representa um marco muito forte em minha vida. De sonhos que se esvaíram, de sonhos que renasceram, de caminhos que me apareceram sem que eu lhes esperasse.

Sinto-me mais forte. Sonhadores às vezes precisam ser trazidos para a terra firme. E esse ano fez isso comigo. Não, não deixo de sonhar. De ser sonhadora. Graças, graças, essa é uma característica intrínseca à mim. Essa mulher misturada de menina que o espelho me mostra sempre.

E por mais que tenha dado na telha dos intelectuais esculhambar o incansável 'então é natal' de Simone, eu, que tenho mesmo a mania de ir na contramão, digo logo: eu gosto. Eu gosto de coisas que representam uma época. Eu gosto das bizarrices bregas e de gosto duvidável. De soltar uma gargalhada gostosa porque é 5.767.649 que escuto a música da simone no mesmo dia.

Eu gosto de saber que encontraremos no dia 24 todas a pessoas que durante o ano não vemos. Eu gosto que até as pessoas que não particularmente gostamos, encontram a sintonia que essa noite traz em si. Eu gosto de procissões e tradições. Dos sorrisos, das brincadeiras, das fotos, das comidas.

E nessa noite eu sempre rezo para aqueles que estão sozinhos. Ninguém deveria estar sozinho na noite de Natal. Devia ser proibido. Deveria ter uma campanha internacional para que se acolhesse em cada família alguém que estivesse sozinho.

O fato é que 2006 está acabando - e já era hora disso mesmo. Acho que ele já me deu o que tinha de dar: já me mostrou os sorrisos e lágrimas que tinha para mim e já também mostrou o que valorizava ou não.

Eu termino este ano com o pulmão cheio. Com algumas palavras guardadas, é verdade. Mas subitamente tomada de uma energia e orgulho também.

E quando eu cruzar a linha de largada de 2007, eu a cruzarei com as pernas mais fortes, mais preparada para os novos pontos de interrogação que virão dentro dele.

e para descontrair...

porque eu estou cada vez mais tentando virar uma sambista seguidora fiel do ser 'blasê', vai um desenho de quem não sabe desenhar: porque esta manhã eu pude ir para a aula e a rinite alérgica, a virose e o dedo do mouse estão a mil também sambando comigo.





Saturday, November 25, 2006


[cais]

começo a costurar agora
a linha é forte e o tecido belo.
extremamente belo.


~~
pergunta:

quantas personagens de mim mesma eu sou?

queria um dia mais longo.
preciso de dias mais longos.
o tempo me escapa rápido demais.





Monday, November 20, 2006


[sentido]

vi esta frase e não resisti de colocá-la aqui
porque quando algo lhe chega como verdade, tem mais é que ser abraçado mesmo

“A ave sai do ovo. O ovo é o mundo. Quem quiser nascer tem que destruir um mundo.”

Hermann Hesse

Wednesday, November 15, 2006


[aprendizagem]

Às vezes eu acho que seriam necessárias mil vidas para eu amar o tanto que quero.

E como eu amo.

E como é bom amar.

Saturday, November 11, 2006


[el nuevo idioma]

que quero aprender

e eis os belíssimos e perfeitos culpados





Há determinadas coisas na vida, que não devemos passar sem fazer.

E, venhamos e convenhamos, novas paixões são sempre bem vindas! :]

[síndrome do espelho e das pessoas conhecidas]

Conta a ciência que existe tal síndrome: uma que você se olharia no espelho e não se reconheceria. Veria pessoas que lhe eram conhecidas, e elas não mais lhe pareceriam conhecidas.

Pergunto-me se todos nós, na realidade, não sofremos de tal síndrome.

Pois há muitas vezes em que nos olhamos de fato no espelho e já não vemos quem nós éramos.

E há também inúmeros momentos em que olhamos pessoas que um dia nos foram queridas e nos permitimos passar por elas como por meros estranhos.

São muitos os caminhos que tomamos para que não soframos mais.

São muitas as vezes em que percebemos que crescemos e nos tornamos outro alguém: não necessariamente melhores ou piores, mas diferentes.

Eu não sei. Passo a vida a perguntar tantas coisas... Essas são mais outras perguntas que se juntam às tantas.

E a verdade é que aprendo a cada dia. Sobre meus erros. Sobre meus acertos.

Sobre as vezes em que eu gostaria de ter agido diferente.

Sobre os momentos em que eu gostaria que tivessem agido diferente em relação a mim.

Carrego a bandeira de que tudo que nos acontece, acontece por uma razão. E acredito sim piamente nisso.

Sei com toda a certeza que possa haver em mim, que tudo o que já se deu em minha vida mudou algo em mim. Nada me aconteceu simplesmente por acontecer.

Da menor alegria à maior dor: tudo me transformou um pouquinho: me transforma ainda.

E pode ser que seja simplesmente uma forma de amar a mim mesma, de ser condescendente comigo mesma, mas entre acertos e entre erros, tomo-os para o melhor. Faço-os minha massa de modelar. O talhe que me molda. Que me fala como ser daqui para frente.

Aos outros, belos outros tão falhos como eu, eu digo:

Façamos de conta que estamos todos nós a morrer.
E que é tempo que desculpemos nossas falhas.

E, a cada um de nós que vive, sendo a vida um estado apenas, sabemos que estamos sim todos a morrer e que não há por que nos ocuparmos com amarguras.

A ti, vida, um brinde.