Monday, September 25, 2006


[facilidades]

Ninguém sabe mais o que é andar de cavalo. As crianças de hoje, salvas as raras que pagam pouco dinheiro a dois burricos que marcham tristes em um sol escaldante de praia, não sabem do ritmo de andar em um trote de cavalo. Não sabem o que é ter o vento batendo nos cabelos e se sentir movendo em uma marcha ligeira e em um ritmo que pata humana alguma conseguiria. Ao invés disso, 4X4. Caminhonetas da classe de verde no bolso que vencem qualquer terreno com um dvd dentro de si. Ar-condiocionado, mini-bar, surround-sound. Não, it doesn't get any better than that! Mas ficará, ficará ainda melhor, tenho certeza. Os anos se passarão e outras coisas incríveis serão inventadas, outras coisas sobre as quais nos perguntaremos: como é que se vivia sem isso?

Isso tudo é muito bom. E não tem um "mas..." vindo depois dessa frase não. É tudo muito bom sim. São tempos diferentes, esses. E a cada tempo o que é de cada tempo.

Se as crianças de hoje não sabem o que é se sentir um gigante em cima do cavalgar gostoso de um cavalo e da adrenalina emocionante de um trote em disparada, as crianças de ontem também não sabiam da maravilha que é uma tv projetada, um dvd que faz tudo, que toca tudo, séries que podem ser de cada um, mil vídeo-games em um só computador, músicas em formatos compactados e que são trocadas aos milhares, existir no mundo virtual mesmo que mal se exista no mundo real.

São tempos em que a saúde é foco. E que não preciso me privar de tanto já que até a margarina agora tem versão light: que não só não é nociva, mas que faz bem ao coração.

E se hoje me der na telha ter um filho, não precisa de muita complicação não: o dinheiro certo e lá estou eu com a semente plantada e crescendo, tudo feitinho em um procedimento banal já.

Se meu livro da biblioteca já venceu, sem problemas, dois cliques e dois links e já o renovo. Só terei que me preocupar com isso de novo em 23 dias.

Entrada para o cinema sem pegar fila? Ora pois não! Compre seu ingresso online!

Sorvete no corpo que não quer engordar? Temos todos os sabores a sua disposição com 0% de gordura.

Refrigerante que daqui a pouco vai ser seu preferido?
Coca Light e Sprite Zero.
É viciante sim.
É bom sim.

Vestibular injusto que foi responsável durante tanto tempo pela depressão e até suicídio de tantos jovens: não se preocupe: uma faculdade em cada esquina resolve esse problema. Basta ter dinheiro para a mensalidade.

Computador ligado na impressora, com porta usb para o pen drive, para a câmera digital, com saída para o seu som, placa de vídeo, microfone e câmera: tudo essencial e indispensável.

Fazer curso de datilografia com as freiras? Digitar é respirar. Faz parte do dia a dia. Não há quem não saiba.

O tempo... bem... está aí uma coisinha para a qual ainda não conseguimos uma solução.
Vai embora rapidinho, ele.

No Japão foi lançada uma campanha anti-stress onde os empresários diminuíram a jornada de trabalho para que os pais e mães de família tivessem mais tempo para seus filhos e cônjuges. O que esses japoneses fizeram? Arranjaram um segundo trabalho para o tempo que havia sido lhes dado. As empresas tiveram que voltar atrás.

Não há como lembrar da frase do meu querido Seinfeld: "in life, it seems, wherever I am, I have to go.

Nós temos todos que ir sempre, sim. Mais que isso: temos que estar indo. Temos que estar em um tráfego imaginário bem real. Em movimento.

Encaixamos todos nossas agendas: aula, depois trabalho, depois almoço, dá tempo para passar acolá e pagar aquela conta, depois mais trabalho, depois pegar filho na escola, deixar no inglês e, enquanto isso, ir fazer aquela feira, voltar para casa, preparar jantar: acho que amanhã se acordar tal hora dá para ver aquele filme, fazer aquela caminhada, conversar com fulano.

Em qual outro tempo na história se faz sentido ter super-mercados 24 hrs?

Em qual outro tempo na história se tem um portal eternamente aberto para que se colher informações, para se comunicar, para interagir, para comprar?
Com certeza esse é um momento único na história da humanidade.

As conseqüências disso, ora, todos nós sabemos.
Não é o assunto deste texto o fato dos excessos desse tempo ter posto no Planeta um atestado de morte com data marcada.

Hoje, há que se sobreviver, mas mais que isso: há que se ser original, diferencial é a palavra, a chave do sucesso.

Em que outro tempo pessoalidade seria sinônimo de diferencial e não de natural?

São muitas as regras sociais de hoje.
Como assim você não tem Orkut?
Você não viu o vídeo da Cicarelli????

Email, não, todo mundo tem email.
Celular: dá licença: hellooo!!

Vivemos em um mundo de links.
E ai de quem não os tiver: será fadado ao vácuo social aonde não há justificativa mais justificável: se tivesse celular, email, orkut, isso não teria acontecido.

E não há lições de moral neste texto.

Se no fim dele você está esperando um: e é por isso que antigamente as pessoas eram felizes e hoje não são, você não vai encontrar.
Não aqui.

Eu sei lá porque as pessoas não são felizes???
Se pode tudo hoje: se ganha dinheiro, pode se comunicar com qualquer um a qualquer hora, se quero comer mas não quero engordar há cada vez mais um mundo de coisas cujo sabor está cada vez mais próximo dos real things, posso trabalhar deitada na minha cama com meu notebook, baixo minhas músicas e meus filmes preferidos de graça, coloco o peito que sempre quis, tiro a barriga que nunca quis, paro de usar os óculos que nunca gostei, programo minha televisão com o que eu quiser, leio o que quero quando quero, posso ser gay, posso ser metro, posso ser emo até! Posso não ter religião e ainda ser respeitado em minha espiritualidade. Posso comer só orgânicos e não ser considerado cafona, mas sim legal. Posso ser vegetariano, posso ser carnívoro. Vou ao meu banco sem sair de casa, faço interurbano sem pagar interurbano, passo uma hora e meia gritando como bicho e chamo isso de ginástica, vejo palyboy no ônibus, ando no metrô escutando música, assisto filme no avião, vejo na hora se gostei da foto que tirei, gravo a música que compus, visto o que quero, tatuo o que quero, furo o que quero: e é tudo estilo.

Viver hoje é, mais que nunca, poder fazer escolhas.

Só acho que nenhum de nós imaginou que tantas facilidades não fariam lá a vida tão mais fácil.

Lembro-me da típica história da Seleções: a médica famosa que teve traumatismo craniano e agora tinha como pior desafio escolher um sanduíche num fast food da vida: de carne? de frango? com picles? com salada? com maionese? baguete? pão bola? tomate? ketchup? gergelim? com coca? com suco? com guaraná? com água? com sobremesa? cartão? cheque? dinheiro? tem troco?

E acaba que tantas vezes a gente pede a beleza do pão bola com um molho que faz o pão ficar ensopado, um ketchup que não deixa a gente sentir o gosto do frango e uma sobremesa que não coube na fome que não era tanta.

Vai entender: o tempo passa, o tempo voa, e tudo acaba na mesma coisa de sempre: somos nossas escolhas.





Sunday, September 24, 2006


[tem como não amar?]




















do site FWW


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E, enquanto isso, na sala de justiça...

> É bom olhar para o lado e ver fortaleza: é inspirador isso. Te faz cantar sorrindo para si mesma: "Se não eu, quem vai fazer você feliz?"

> O complicado da sala de aula é a burocracia: ter que fazer as coisas como manda ela e não como você acha certo e produtivo.

> Jiraya, Sucessor de Togakuri, grita lá da sala de tv ao seu inimigo: "Os ninjas também têm piedade! Você não está em condições de lutar!"
[e aí, mundo, não dá pra fazer isso também de vez em quando não, hein???]

> Tanta coisa na estante, meu Deus, tanta coisa na estante. Vou já pegar um banquinho.

> O telefone tá me devendo uma. Ou duas. Ou três.

> Férias. Eu quero férias. Contando os dias para entrar num avião.

> Ok. Vontade de ligar para um parente acolá e lhes lembrar que cada um que aprenda a dar valor ao que tem. E que respeite a minha rainha, que respeite a minha rainha!

> Zero na carteira, mas camarão na barriga. Temos que amar freezer, temos que amar.

> Achei a música. Falta aprender a cantá-la; ou contá-la: não sei bem ainda.

> Tsc tsc tsc: mais uma vez, mais uma vez. Vamos ver quantas ainda serão até que eu aprenda. Teimosia há de ter limite, há de ter limite.

> Orações sendo estocadas com grande velocidade. São grandes e muitos os desejos.






Friday, September 22, 2006


[in us]

Nothing in the Universe exists alone. Every drop of water, every human being, every plant and animal, creatures as small as the ant and as big as the elephant, are part of an immense, dynamic whole as old - and as young - as the Universe itself. To learn this is the discover the meaning of life.

Mas has a very special tool, his capacity to learn. He is the only creature on Earth that can watch a bird flying in the blue sky and see behind its structure the entire history of evolution. He alone can sit on a beach at sunset and see the laws of the Universe while he watches the sun disappear under the horizon.

Only man can look at a spider web and see, through its design, the web of life and the web of knowledge.

No other creature but man can analyse himself or examine his own soul.



~Do livro This Living Earth, de David Cavagnaro.



E, enquanto estamos falando de metáforas, de ver além das coisas, de fazer uma leitura mais subjetiva, deixe-me dizer: somos todos sobreviventes, meus queridos. E não há nada de mal nisso. O sol que se põe hoje, nascerá sim amanhã. A dor que dói agora, deixará sim de doer. O sorriso, o sorriso está bem ali, na próxima curva. Gargalhando sozinho enquanto a gente não chega para acompanhá-lo.

Lutemos nossas lutas e busquemos nossas vitórias sim: elas são mais do que parecem: são uma vitória de nós sobre nós mesmos.

[a professora e a multa]

Aconteceu de contar. Aquelas aulas de sexta-feira a noite, onde a professora vê um monte de caras vigiando o relógio, acompanhando todos os movimentos do ponteiro, anciosos com a tão esperada hora da liberdade, do dever cumprido, da presença adquirida. Pois aconteceu da professora, tão séria e correta, aproveitar o desdém da sala para contar um causo seu, acontecido uma semana e meia atrás: porque é assim, quando a coisa é real, quando são gafes e atrapalhadas nossas, todo mundo vem correndo escutar com o maior interesse.

Pois a professora, que paga todas as suas continhas em dia, que não dá motivo algum para lhe pegarem no punho, que anda na linha mesmo, estava com todos os seus documentos e taxas do carro em dia. Tudo certinho, certinho: faltando um só detalhe: havia esquecido de colocar o tal documento verde dentro do carro. E não lembrava que não lembrara de fazer isso.

Então, nessa noite de uma semana e meia atrás, a professora foi parada em uma blitz. Ao perceber-se sem o tal documento, percebeu ela também que estava prestes a receber uma multa. Sua mente correta logo lhe avisou: falha minha, eu que aceite as conseqüências.

Logo logo então, como esperado, o fiscal lhe avisa da notificação e lhe faz uma ressalva [essa sim, inesperada]:

"Se a senhora me der R$ 50, não precisa pagar a multa não".

Estupefata, surpresa, em choque, a correta professora soltou um sonoro: "Como assim?"

"Me pague uma taxa de cinqüenta reais, que a senhora não recebe a multa"

"Mas, meu senhor, eu não estou sem documento?"

"Sim, está, por isso mesmo é que estou lhe dizendo que se me der os cinqüenta, a senhora não vai receber a multa em casa nem levar pontos na carteira"

"Ah, não, pode me dar minha multa. Eu estou sem o documento, eu estou errada, pode me dar minha multa"

"A senhora não está entendendo, se eu lhe der a multa, a senhora vai pagar cinco vezes mais!! Por que não me dá os 50 e estamos conversados?"

"O senhor é que não está entendendo!! Essa multa é direito meu! É meu direito receber essa multa! Me dê minha multa e estamos conversados!"

"Isso é desacato a autoridade!!"

"Hãn?"

"A senhora está faltando com o respeito comigo!! Isso é desacato a autoridade!"

"Pois vamos fazer o seguinte, meu senhor, vamos os dois na delegacia, eu explico o meu lado para o delegado e o senhor explica o seu, aí a gente vê a quem ele dá razão."

Termina que a professora recebeu sim sua tão suada multa. Não foi indiciada por desacato e não deu a irrisória taxa descarada do fiscal.

Enquanto eu ainda olhava para a professora a achando um ser humano lindo, ouvi um "palhaça! mas é muito palhaça!" vindo da colega sentada ao meu lado.

Está aí. Estamos aí.
O que é certo ou não neste mundo?

Thursday, September 21, 2006



[Lana, Laninha, Lana Mara, Naninha, Lana Nóbrega]

Nome composto. Alguém tem a graça de tê-lo? Não há ninguém que eu conheça que seja dono dessa alcunha dupla, que não atribua uma parte de sua personalidade a um nome e outra parte de sua personalidade ao outro nome.

A Lana faz isso. A Mara faria aquilo. A Lana Mara [sempre enrascada] faz outra coisa. A Laninha, bem, a Laninha é toda doce. E a Lana tem raiva da Laninha. A Mara, por sua vez, toda amarga, não sabe muito bem o que quer não. E se mostra só raramente.

É lindo quando inventam essa história de diminutivo para o nome próprio - característica usada desde cedo na minha família [são inhas e inhos para tudo que é lado] e que a Laninha, boba, continua a seguir fazendo vida afora, sempre que tem um carinho a mais por alguém - coisa que acontece sempre.

Mas devo dizer que tenho muita raiva quando escolhem usar o tal do diminutivo e - puff - na primeira discórdia, lá vem o nome seco, sem inha ou inho. Tenho muita raiva porque aí, me parece que usam o meu nome como arma, como forma de ferir, como maneira de passar o desgosto que causei: não estou merecendo o inha naquele momento.

Nada a ver isso.

Embora aconteça muito naturalmente.

A mim, bem, já me fiz a promessa de, se algum dia acontecer de botar mais seres humanos neste mundo, de lhes dar nomes que não combinem com inhas ou inhos. Que é para lhes poupar desse caminho.

Mania boba essa minha. A de tentar poupar os outros das coisas. Tomara que quando esse dia chegar [se chegar] eu não seja mais tão besta e ponha nomes de inhos e inhas nos herdeiros mesmo. Não há espaço para poupadores nesse mundo porque eles mesmos se cansam, já que não são jamais poupados.

Sei sim o que quero: só não tenho culpa se o que quero agora não é necessariamente o que quero amanhã.

Mas sabe de quem eu mais gosto? Eu gosto muito da Naninha. Ela morreu já. Foi-se junto com a única pessoa que a conhecia.

Minha avó Pedita.

Era ela o único ser que falava um gostoso Naninha sempre que se referia a mim. E a Naninha, ah, a Naninha era mesmo linda. Um anjo nesta Terra, quase. Me preocuparia se ela ainda existisse. O mundo só lhe machucaria. Ela era pura demais, boa demais, ingênua demais, solícita demais. Tudo o que um mundo bom e justo gostaria de ter em si. Uma criança. Pronto. Era isso a Naninha: uma criança. Saudades dela. Mais saudades ainda da que lhe [re]conhecia. Seria bom ter seu colo ainda.

Mas, como disse, com a Naninha não preciso mais me preocupar. Ela não mais existe. Só lapsos dela. Resquícios de uma alma bela, só.

A Lana, bom, a Lana ainda está crescendo. Aprendendo consigo e com o mundo. Ela tem um grande defeito, confesso, ela tem a necessidade de entender as coisas. E isso lhe dá uma dor de cabeça... Ela ainda tem muito o que aprender. Não sabe muito bem aonde pisa. Não gosta do indefinido. Se estressa e se preocupa demais com tudo e todos. Resumindo: A Lana precisa aprender a maneirar. Deixar as coisas desabarem sem que seja ela a primeira a correr para colocar tudo de volta no local. Ela sabe disso, e morre de medo de conseguir esse feito um dia. Será ela ainda quando não mais se importar tanto?

A Mara, sempre escostada na Lana, não tem muito reconhecimento não. Confesso que a Lana só gosta da Mara junta a ela. Sozinha a Mara é amargura. Com a Lana a Mara é luz. É fortaleza. É peraltice. É uma sonoridade que o ouvido gosta. Impressão digital no mundo das alcunhas.

Esse pacote todo, bem, esse pacote todo é como qualquer outro ser no mundo: significa muito para uns poucos, não tem lá tanta importância para outros, sabe de poucas verdades, tem inúmeras dúvidas sobre um infinito de coisas, já machucou e já foi machucada, não tem medo da sua morte, mas da morte dos outros, não tem medo da sua doença, mas da doença dos outros, gosta muito da vida, embora viva se frustrando com caminhos que as vezes lhe aparecem [ou deixam de aparecer], se sente incrivelmente sozinha às vezes, sabe como é sortuda por ter o que tem, por ter conquistado o que já conquistou, sofre com a dor dos outros, é muito burra às vezes, e incrivelmente geniosa na maioria das horas.

Sabe do que ela precisa?
Ela precisa de um domador que saiba controlar a fera, e de um jeitoso que saiba preservar sua doçura.
Tá. Ela precisa de algo que provavelmente não existe.

Mas isso, isso é só um detalhe.

A Lana Nóbrega, ser autógrafo dos textos que cria, a Lana Nóbrega tem um certo timming. Ela tem muito orgulho quando as palavras lhe avisam que chegou a hora do ponto final. É uma delícia o ponto final: trabalho feito, recado dado, poesia nascida. A Lana Nóbrega quer morar dentro de um livro, quer viver mais em páginas do que na vida, quer brincar de Criador e inventar mundos e fazer nascer gente. A Lana Nóbrega chega a ser besta, e não deixa que lhe tirem seu valor não. Tem orgulho de si e pronto. Embora se faça de forte, a Laninha confessa por ela: nenhum texto vale tanto, quanto um querido seu gostar do texto. Mas a Lana Nóbrega segue na vida dos mestrados, dos livros, das aulas: fuga de quem achou uma alcunha que cabe no mundo da gente grande.

Isso tudo até aqui, isso não é um espelho.
Só se for espelho de carro: que está sempre refletindo coisas que vão passando.






Wednesday, September 20, 2006
























Tuesday, September 19, 2006


[a necessidade de expressar]

É que sofro desse mal. Devo dizer o que sinto. Devo falar como apreendo. Devo me comunicar. Tudo seria melhor, imagino, sem os 'yata, yata', sem os subtendidos, sem os ruídos do não-dito; mas com as narrativas do que nos passa no peito assim, jorradas, cantadas, talvez até cuspidas [em um desdém que ainda - culpa minha - não consegui conquistar].

Talvez por isso eu ame tanto musicais.

Me encanta a idéia de sentir algo e abrir o vozeirão no meio da rua, com tudo o que me dói ou ri por dentro.

Não existiria mais 'dentro', pois seríamos um só.

Numa magnicência musical.

Numa melodia de notas boas e ruins, de bom e mau gosto, de tranquilidade e de barulho.

Mas ninguém seria analfabeto na música.

E todos sairiam por aí cantarolando músicas de mocinhos e de vilões.

E o elenco seria o certo.
Porque cada um saberia melhor o papel que lhe cabe.
E as falas que lhe são permitidas.

Roteiros devem existir.
Maria não pode ser Victoria.
Forest Gump não poderia jamais estar na pele do Náufrago.
É simples assim.

E acabo ainda por achar meu canto. Minha fala. Meu roteiro.
Sou diretora de mim. E meu filme não precisa ser apreciado por muitos.
Apenas pelos que compram o dvd e o assistem de novo e de novo com um carinho genuíno e honesto.
A esses, minha obra inteira. Pois são a razão do filme.

Tempo de reflexões. E, assumo, de solidão.

Sunday, September 17, 2006


[para eu não esquecer]



[Tempo]

Fala turbante escuro
De enfeite redondo
Branco-amarelo

Fala silêncio noturno
Fechar de olhos
Do tempo passado

Falam horas que andam
Até chegar a luz
Sonhos misturados
Com o acontecido
Com o não percebido
Com o já aprendido

Falam

Talvez até gritam

Murmuram por vezes

As noites que passam
Até que virem dia
Até que virem anos
Tempo constante

Até que chegue a última noite
O último silêncio
A última luz.

02/01/2006

Monday, September 11, 2006


[eu quero!]



mas não chegou aqui ainda, então, quem encontrar primeiro por favor me avise! ;]


Sunday, September 10, 2006



[sonho]

sorriso conquistado
estrada construída
ponte
brilho de uma estrela
acesa há muito
sementes que germinaram
gestação completa
nascimento feliz
oração
desejo realizado
ponto que vira reticências
livro que se abre
linhas escritas
fruto colhido
destino escolhido
ponto de partida
para outros sonhos.

~~~~~~~~~~~~~~~~~

[erro]

engano
pés pelas mãos
mãos pelos pés
tropêço
vontade de voltar atrás
consciência doída
conhecer-se falho demais
palavra burra
sem relógio
raiva desastrada
lágrima sentida
desejo de acertar
quando o ponteiro voltar
para um canto similar.


~~~~~~~~~~~~~~~~~

drops:

* fila de cinema agora é um canto perigoso: no outro dia quase nos matam por um lugar [e homens bombados continuam sendo rotulados por mim]

* desde quando casamento é canto de certezas? conheci uma noiva/recém esposa com medo de perder seu noivo/recém marido para suas convidadas

* a genitora tem sido um brigadeiro doce. e eu que tenho que parar de escolher chocolate amargo. não faz bem isso.

* um, dois, três: eu quero, eu quero, eu quero!

* às vezes me parece que vivi já mil vidas dentro de uma. e novas vidas continuam a aparecer. ainda não decidi se isso é necessariamente ruim.

* parlez vous pour moi, s'il vous plaît

* o ambiente tem agora outro significado. adoro isso. adoro. estou virando gente grande.

[wake up]*

wake up
for it was only a dream
a good dream
a wrong dream

the monument
was not me

it was us
or the us we thought we were
and we were not

two children
longing to grow up
and failing miserably

two hearts
so alike
they thought they were one

and they were not

and fights and shouts and sorrows
because its tiring to be strong always

the hearts are free now
the hearts are two now

just as they should
be

lets be now
let it be now
we are free now

lets wake up
lets grow up

tomorrow is a good day


~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
* não encontrando uma letra de música perfeita,
eu escrevi uma.

porque desde os treze anos eu sei: a única coisa mais linda que uma folha em branco, é uma folha escrita


Saturday, September 09, 2006


[imagem]

As estudo há mais de dois anos. Sou com-ple-ta-men-te apaixonada por elas. Pelo reconhecimento popular que elas merecidamente conquistaram. E não valem só por mil palavras, mas por infinitas. Na verdade, elas não cabem nas palavras. A prisão lingüística não as engloba. A língua não é capaz de envolver sua dimensão. Pode até tentar, mas não é capaz de cruzar a linha que as separa em complexidade.

E olha que você não verá esta mulher aqui falando sobre as imagináveis fraquezas da palavra com muita freqüência. Até porque, elas são meu verdadeiro oxigênio.

Mas, sejamos justos

(parênteses

e cá entre nós, desde quando amar tem a ver com perfeição? queridos, queridos, são nossas falhas que nos constituem. elas nos formam e nos transformam em indivíduos. quer saber porque amo a vida? bem, há sete anos, numa noite de inverno mais fria que se tinha em michigan desde trinta anos, o windchill [vento] estava de menos trinta e era in.su.por.tá.vel. neste minuto, em fortaleza, ce, ano de 2006, uma brisa acabou de me entrar pela janela e foi uma sensação de.li.ci.o.sa. está vendo? é isso que amo. são muitos os significados, são muitas as sensações, e, oba oba, são muitas as mudanças. o vento que me é ruim um dia, tenha certeza, me será bom amanhã. até porque, queridos, auto-ajuda à parte - porque ou todos acabamos enventualmente sendo experts nisso ou nos amargamos - o espelho é meu, o sorriso é meu, o salto alto é meu e, aleluia, tenho consciência disso.

parênteses)

e agora um colchetes um tanto cheio de alfinetes: [falhas não são sinônimo de comodidade. e atitude é bem diferente da cognata attitude. sou fã de iniciativa. aliás, é apenas isso que a vida exige de nós. apenas isso.]

voltando: sejamos justos, as imagens são o próprio homem, pois é nelas que verdadeiramente está nossa subjetividade. E tudo, eventualmente, começa e termina por elas.

Nelas o extra-imagético grita seus significados. Nelas encontramos o conforto e a decepção. A raiva e a alegria. A razão do começo e a razão do fim.

Falo de tudo. Entrelinhas existem sempre. Justamente por palavras dependerem de imagens e, dependendo delas, ultrapassarem sua limitação, se multiplicarem.

E eis que aí se encontra a sublimação entre palavras e imagens: eis sua redenção: só o homem tem o poder de transformar palavras em imagens: quando entende que palavras devem ser entendidas como palavras, e imagens como imagens. E isso se dá em um plano abstrato e interno.

Um brinde: a imagens construídas que permanecem fortes, e a imagens construídas que foram devidamente desconstruídas.

Afinal, sabedoria me ensinou que não só não podemos, mas não devemos ser fortes por outros sempre.

Fortaleza é, antes de tudo, uma escolha.

E essa imagem continuarei construindo.
Porque caminho de mãos dadas com a vida.
E verdadeiramente a amo.



Friday, September 08, 2006


[intérprete]

Não é a primeira vez que ela fala por mim:

Estou à procura de um livro para ler. É um livro todo especial. Eu o imagino como a um rosto sem traços. Não lhe sei o nome nem o autor. Quem sabe, às vezes penso que estou à procura de um livro que eu mesma escreveria. Não sei. Mas faço tantas fantasias a respeito desse livro desconhecido e já tão profundamente amado. Uma das fantasias é assim. Eu o estaria lendo e de súbito, uma frase lida, com lágrimas nos olhos diria em êxtase de dor e de enfim libertação: Mas é que eu não sabia que se pode tudo, meu Deus!

-Clarice Lispector-

Thursday, September 07, 2006


[hello, goodbye, see you later]

Como boa amante da vida, dou-lhe esta razão: ela tem umas tiradas fora de série!

Nada de lingüísticas aqui neste cantinho porque, francamente, não as agüento nem no pseudo-curso-matéria-de-letras que hipocritamente digo que faço. Mas existe algo nessa história de hello, goodbye, see you later... O quê, exatamente? Bem... as respostas seriam muitas. Até porque venho aprendendo isso: as respostas são muitas!

E muitas vezes cabe apenas a você achá-las.

Mas, reflexões grudentas e pessoais à parte, ora veja só [due to the numbers of actual comments on this thing, let me just say that i speak for myself here], eu amo essas três palavrinhas. E amo mais ainda quando sabemos a hora certa - e não esqueçam, ladies and gentlemen, a maneira certa - de usá-las.

Há cinco anos atrás - não tão precisos e não tão exatos - eu arrumava minhas malas mais uma vez para retornar para este Brasil adolescente. Na mala, well, estava uma variedade de fragmentos da vida que eu havia levado lá e da vida que eu esperava levar aqui.

No meio disso tudo, um som azul [oh, my dearest color, its been some time, huh?], comprado com o último pagamento em dólar que eu recebera da faculdade em que eu estudava e trabalhava.

Um som 100% meu: diziam meus 22 anos.

E bem, não foi exatamente o motivo que me levou a comprá-lo [até porque já mencionei a cor dele, não é mesmo?], mas eu me lembro que foi um plus a mais [que é para ficar bem redundante]: quando eu o ligo, ele me diz, sempre sorrindo, hello; e quando eu o desligo, ele me diz, já saudoso, goodbye. E esses dois nominhos ficam passeando na sua telinha por algum tempo, que é para se ter certeza de sua intenção [é assim que funciona: existe poesia em tudo, desde que a vejamos].

Não. Não subestimemos a importância dos hello's e goodbye's.

Principamente não subestimemos os goodbyes.

Que na verdade, quando verdadeiros e lícitos, devem ser ditos com a entonação formada por sua própria estrutura: a good bye.

Eles são os melhores.
Eles são um circulo redondinho e querido.

E o mais importante, colegas navegantes: às vezes eles só dependem de você! ;]

E este dia sete, que era para ser verde e amarelo, pois não é que terminou sendo azul?

Meu som azul, meu cachorrinho azul, meu quarto azul, e uma lua enorme e azul lá fora.

Melhor que isso, só os sonhos que estão no meu forninho!

[azul] :]

e como sempre há espaço para um desejo: que saibamos a quem, quando e como dizer essas três palavrinhas.
somos, na verdade, todos mágicos. e o mundo, na verdade, é encantado por nós.
[e, segredo: a Terra veste a roupa do rei]


Sunday, September 03, 2006


[não é bem um segredo]

Que boba que eu sou!

Mas olha só!

Fui ler o último post e me achei tão triste... Que péssima propaganda para alguém que fala por aí que é boba para rir!
E não só fala! Ora veja só! Sou uma risadinha ambulante! Uma boba que ri até de piadas de tomates que cruzam a rua e são amassados!
Ri e ainda sente pena dos coitados dos tomates!

Quem me fez boba assim eu não sei. Mas, tenha sido a Dona S. ou o Sr. A., tenha sido o Cara lá de cima, tenha sido todo mundo junto [afinal, sozinho é que ninguém faz nada], eu gosto da mistura deles.
E ando sempre por aí muito certa de gostar dessa mistura.

Então, quem sabe este post aqui seja apenas uma forma de anular a pitada excessiva de lágrimas do post passado, ou quem sabe seja a maneira de dizer que esta jovem mulher aqui aprendeu que nem sempre vale a pena jogar no universo um momento ruim, ou quem sabe, apenas dizer que já aprendeu algumas coisas é suficiente... [afinal, universo, estou aqui e momentos ruins virão e é em você que tenho que jogá-los mesmo, ora ora].

O fato é que, graças a Deus, sou boba para rir sim.
Uma boba ingênua que acha tudo lindo, ama a vida e se apega fácil demais às pessoas.

E viva a um dia depois do outro.

E que eles continuem vindo.

Saturday, September 02, 2006

:::
[I]
:::

[O Vento]

É uma coisa engraçada, até.
Se o tempo está frio,
Ninguém o quer.

Se está quente,
E ele vem de repente,
É como um sussurro gostoso no ouvido
É como uma lágrima que vem de um sorriso

O vento nunca é indiferente
Sempre se sente o vento.

Ele anda pelo norte
E passeia pelo sul

Dança com as árvores mais altas
E vive de mãos dadas com pequenas folhinhas

Não se pode descrevê-lo
É bem verdade.
Pode alguém pintar o vento?

Mas o vento vem
E faz carinho no rosto
E brinca com bandeiras
E derruba coisas de prateleiras
E inclina a chuva
E leva a poeira para passear.

O vento é um senhor ocupado.
Anda sempre muito atarefado.
A mostrar novos caminhos.
A querer novos carinhos.
A viajar.

Sempre sempre a viajar.


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Queria pedir ao vento que parasse um pouquinho em mim.
Mas vento parado não é vento.


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[II]
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[O Vento]

Um assobio no ouvido. Um cafuné na nuca. Uma mão tocando de leve o braço. Roupas balançando. Árvores dançando. Redemoinho de poeira na calçada. Bandeiras vibrando por si só. Crianças e cata-ventos de papel. Pipas flutuando e colorindo o céu. Mão segurando chapéu. Areia indo passear. Papel brincando de avião. Janelas uivando para a lua. Saia dando susto. Calor indo embora. Pássaro voando. Pulmão cheio de ar. Dedo apontando um caminho. Ondas. Vela que aprende a nadar. Molhado que vira seco. Quente que vira frio. Varanda com rede. Cafuné no rosto. Esperança dizendo oi.



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Porque em dias de um tom de azul que não gosto, eu tenho o Asdrúbal e o Asdrúbal me tem.

[e até hoje ele não cansou de mim, ora veja só]

Sunday, August 27, 2006


Conto meu




[O Passarinho]

Há algum tempo havia um passarinho que vivia dentro de uma linda gaiola. E muito tempo [depois desse algum tempo] se passaria, e muita coisa lhe aconteceria, até que ele entendesse que gaiola é gaiola, linda ou não.

Mas ainda estamos no tempo em que o passarinho amava sua gaiola.

Aliás, ia além disso. O alpiste fresco, brilhoso até. A variedade de frutas maduras e apetitosas. Inúmeras daquelas pedrinhas de bicar que ele tanto apreciava. Tantas mini-banheiras para seus banhos-brincadeiras. E tudo muito grande. Tudo muito variado. Tudo espaçoso e colorido.

Parecia um sonho, é verdade. Um daqueles paraísos que todo mundo sabe como deve ser, mas, na verdade, nunca esteve em um. O passarinho pensava isso sempre: estava no paraíso. E ele se divertia incrivelmente com tudo. E vivia cada mimo, cada excesso intensamente. Era tudo um sorriso só [se é que passarinho sorri].

Até que chegou o dia [sempre chega, não é] em que o danado do passarinho resolveu olhar além.

Pois não é que além das barras [para não dizer grades, que é algo muito sério] havia mais? Depois de cruzar a gaiola inteira, depois de voar até o alto dela, depois de olhar bem os limites da linda gaiola [porque ele nunca tinha olhado realmente], o passarinho inventou de inventar algo que nunca tinha inventado antes: o que haveria além dali?

E aí, frustrado por não saber, nada da linda gaiola lhe interessava mais. E seu cuidadoso dono, talvez tão lindo como a linda gaiola, fazia tudo para o que o passarinho voltasse a ser serelepe e alegre. Para que o passarinho fosse feliz de novo dentro de sua maravilhosa gaiola.

E quanto mais o dono do passarinho lhe enchia de mimos, mais o passarinho percebia que não era ali que ele queria estar. Ou talvez até fosse, mas ele tinha que primeiro saber o que existia lá fora. Ele tinha que saber o que existia além. Era esse seu maior sonho e era isso que o passarinho queria que seu dono entendesse.

Aquela linda gaiola, aquela enorme gaiola, era minúscula diante dos sonhos do passarinho. E seu dono não percebia isso: não conhecendo o que o passarinho precisava, ele não conhecia o passarinho.

E chegou um dia em que o dono do passarinho, não agüentando mais aquela situação, resolveu aconchegar o passarinho em sua mão. Talvez fosse isso, talvez o passarinho precisasse de mais carinho.

Mas não era disso que o passarinho precisava. E, quando seu dono tentou lhe afagar delicadamente com as mãos, o passarinho se tornou agitado e arredio, e se sacudiu e se movimentou violentamente. Fora de si, o passarinho saiu batendo nas barras da gaiola, bicou o dono, se chocou nos poleiros, perdeu penas nas pedras, machucou o bico na porteirinha.

O passarinho achou a porteirinha. Saiu todo machucado, sem lembrar como se vôa, com muitas penas a menos, com o bico dolorido, mas achou a porteirinha.

Atrás de si, o passarinho deixou a dor de um dono que nada entendeu. Não entendeu a tristeza do passarinho dentro de uma gaiola tão linda. Não entendeu o passarinho não aceitar seu carinho. Não entendeu o passarinho lhe bicar. Não entendeu o passarinho escolher ir embora.

Seria preciso ele conhecer realmente o passarinho para entender tudo isso.

Pousado numa árvore, já muito longe do dono e de sua gaiola perfeita, o passarinho era só dores. Estava muito machucado.

Olhou bem para a árvore em que tinha pousado e viu nela um buraquinho no tronco. Entrou lá e lá ficou por um bom tempo. Dormindo o sono mais longo que já dormira.

E foi quando passou o muito tempo que se passaria.

Um dia, não mais belo que os demais, o passarinho acordou decidido a reaprender a voar. Tirando algumas, que nunca mais cresceriam, a maioria de suas penas havia crescido de novo. O bico tinha uma cicatriz, mas essa já não mais doía.

O passarinho então olhou a sua volta. Sentiu-se dono de si. Os limites que tinha pela frente agora, seriam os limites que ele mesmo se daria.

E o passarinho vôou muito. E o passarinho vôou sempre. E o passarinho era feliz.

Vez por outra, em um momento ruim, o passarinho lembrava da linda gaiola e do bondoso dono que havia deixado tão longe.

E o que ele sentia não eram bem saudades.

O que ele sentia era um pesar, por não poder ter sua liberdade e seu dono juntos em uma mesma escolha.

Se apenas o dono soubesse... pensava o passarinho nesses momentos.




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imagem retirada daqui


Thursday, August 24, 2006


[rezem, orem, pray]

Eu sou contra a entrega gratuita. Realmente sou. Se há entrega, ela deve vir, penso eu, com uma certeza: seja a certeza de um amar grande [no caso de entrega ao outro], seja a certeza de uma guerra realmente perdida [quando a entrega é sinônimo de desistência], seja a certeza de que aquele é o melhor caminho a seguir [quando a entrega é, bem, caminho].

Mas não acredito na entrega gratuita!

Primeiro porque se não há amor, já não há entrega. E vice versa.

Segundo porque desistir oficialmente de algo não é só desistir, mas já ter desistido faz tempo. Afinal, ninguém vence guerra nenhuma se maldizendo por estar nela.

Opto pela perfeita frase do antropólogo Carlos Castañeda:

"A diferença fundamental entre o homem comum e o guerreiro é que o guerreiro encara tudo como desafio, enquanto o homem comum encara tudo como bênção ou maldição".

Terceiro porque, quando entregar-se é só o que podemos fazer [e existem sim esses momentos], que o façamos com convicção.

Mas não acredito na entrega gratuita. Eu sou muito macha para isso [isso mesmo: eu coloquei macho no feminino, contradição de termos que seja]. Ou muito orgulhosa. Ou muito geniosa. Ou simplesmente chata e teimosa. Não importa. Adjetivos ruins às vezes servem para o bem.

O fato é que, acreditem, acreditem: rezar às vezes é o que nos resta.

Ninguém verá o mundo pelos olhos que queremos que vejam a não ser que escolham por si próprios esse ângulo. E isso geralmente significa viver uma situação que os coloquem em tal posição.

Rezar para mim é isso: uma entrega.

Existe um Ser bem maior que eu. Um Ser verdadeiramente belo.
E Ele tem muito o que fazer.
Ele sempre tem o que fazer.

Entretanto, mesmo que eu peça, vejo que Ele não precisa cuidar de mim sempre.
Mas que Ele cuide de mim quando eu não puder fazê-lo.

Que Ele cuide dos meus quando eu não puder.

Há muito o que fazer.
Para mais de um.

E se Ele não andar por blogs, que escute o que Lhe falo no ouvido.
Por favor.

[simples]


Diálogo entre Minduin e Patty:





- O que você acha que é o amor, Minduim?

- Bem, há alguns anos meu pai tinha um Sedã preto 1934 de duas portas...

- Mas o que isso tem a ver com o amor?

- Espera, deixa eu falar o que ele me disse!
Havia uma garota muito bonita, sabe? Ela costumava pegar carona com ele. Sempre que ele a convidava, ele abria a porta do carro pra ela, depois que ela entrava ele fechava a porta. Depois ele passava por trás do carro e ia pra porta do motorista, mas antes dele chegar lá, ela esticava o braço e trancava a porta, deixando ele pra fora. Depois ela ficava ali fazendo muitas caretas e sorrindo. Isso que eu acho que é o amor!

- As vezes eu me preocupo com você, Minduim!


Wednesday, August 23, 2006















uma das maiores paixões que a vida me trouxe

Sunday, August 20, 2006



[fotografia]

Texto meu.
E eu mesma, também.



Meu Sorriso,

Primeiro de tudo, obrigada! Obrigada por te ter tão presente em minha vida. Obrigada por você ser tão essencial a mim. É bem verdade que não sei o que faria sem você aqui, em mim, sempre [ou quase sempre].

A respeito do quase, me perdoe pelas vezes que lhe mando embora. Pelas vezes que lhe expulso de mim: mas, você sabe, dores às vezes chegam sem avisar, e você, amante perfeito, deve ser escondido em tais horas. És muito belo. Tão belo que o feio não pode existir junto a ti. Eu não deixaria. Tu não suportarias.

Mas, grande amor, que bom é quando você retorna! Me enfeita os lábios, me ilumina os olhos. Deixa o corpo pesado, tão leve! Faz cócegas na alma.

Você, querido, que ama crianças e coisas bobas. Que aparece, sapeca, quando lembra de algo, quando quer falar algo de bonito. Você, que muitas vezes toma para si a missão de enfeitar o mundo, de criar o belo, de mostrar afeto, carinho, conforto... Você que sabe virar abraço.

Você que ama e que também faz chacota. Que sabe até usar de alguma pimenta, mesmo que branda. Afinal, você é também falho.

Você, sorriso lindo, que me ilumina. Que consegue ser a mais bela parte de mim, pois é, verdadeiramente, a janela de minha alma. É você que me mostra ao mundo como sou. É através do que lhe traz a mim, que devo ser julgada. És assim, querido, tu o meu advogado.

Assim, sorriso meu, grito aos ventos a alegria que me trazes por apenas existir. Em saber quando chegar. E até quando sair. Por respeitar meus momentos. Por lutar tão bravamente pela minha existência. Por minha paz.

Eu sei. Tu não existes sozinho, eu sei. São tantos os que te controlam, não é? Tantos os que te fazem sair e chegar. Tantos os que te colocam no colo e tantos os que te machucam. Eu sei. Eu sei que és sensível. Que dependes também de outros sorrisos. De teus iguais. De teus queridos. E por isso te admiro ainda mais: porque mesmo quando perdido, encontras teu caminho de volta para mim.

E é você, querido sorriso, a razão de tudo. Tudo de belo que existe em mim vem através de ti. Você é o reflexo do que lhe traz. Por isso és, mais que tudo, um mensageiro.

Meu sorriso, tu sabias que és quase eterno? Que o teu tempo é a maior lembrança de mim? Pois haverá um dia eu que eu já terei ido, mas tu, grande amigo, continuarás para todos os que te receberam.

[minha vez]

Minha vez de usar as palavras dela.

Qualquer amizade boa tem que ser muito bem tratada. E amizade não funciona de um para outro, só de dois para dois. E isso é simples e traz a maior felicidade do mundo.

Porque com isso ela disse tudo o que precisa ser dito sobre o assunto.

[Palavras são assim: podem ser perfeitas, e nem por isso deixarem de ser tristes.]



. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
[E este não era bem o post que eu tinha reservado para hoje, mas as palavras do outro não serão esquecidas. Há tempo para tudo.]

Wednesday, August 16, 2006


[eu teria menos medo se soubesse como ele se chama]*


Nós precisamos nos permitir

É isso.

Precisamos nos permitir


__________
* frase do filme "os sem floresta"

Tuesday, August 15, 2006


[brainstorming]

Porque tudo neste mundo cotidiânico é uma questão de idéias:



Sua história seria a coisa mais boba do mundo, se ele não soubesse contá-la como a mais perfeita Scheherazade:

http://oneredpaperclip.blogspot.com/

a.m.o

.
se ainda existir alguém para mim:



[Não é complicado]

vai lá
me diz o que quer
me fala tua fala
me mostra tua voz
me olha no olho
me encara

vai
luta
defende
grita
te mostra
aparece
desconta
desperta

vai
solta o preso
sente
reage

vai
não guarda
não silencia
não esconda
não seja estático
não enterre
não suporte tudo

vai
cresce
esbraveje
estoure
se coloque
se imponha

vai
aperte
empurre
mande
seja certeza
seja voz
seja presença

vai
se ache

e então
me ache

porque é isso o que quero.



14/08/2006

em troca [porque tudo é uma questão de dar e receber]:
alguém que poderá ser quem é, porque será podada quando for o que não devia ser.

[e todos precisam ser podados de vez em quando para crescerem melhor e mais bonitos]


______________________________________
ela sabe perfeitamente sobre o que falo

> e não, não sei todos os por quês, e não acredito na falta de doçura, mas estou lá quando me precisam, e preciso que o contrário também exista.

> eu quero, de vez em quando, poder só observar.

Monday, August 14, 2006


Achei hoje, dentro de um caderno antigo.
Estava sem data, o que é incomum, mas acho que é de 2003.
E continua a dizer muito sobre mim:

[Senti-lo-ei]

Glória a ti,
Que do alto de seu poder
Me controla.
Glória a ti
Que me faz escolher os caminhos
Que é dono de meu riso e meu choro
Glória a ti
Que entre erros e acertos
Me diz quem eu sou
Glória a ti
Que distribui sorrisos e lágrimas por mim
Glória a ti
Que me sussurra as escolhas
Que me guia os acertos
Que me consola os erros
Glória a ti
Verdadeiro eu
Que entre batidas ritmadas
Rege meu tempo
E escreve minha história.

Sunday, August 13, 2006


[quando chega o limite]

Tenho medo. Muito medo.

A meu ver, já há algum tempo vejo o Brasil caminhando para uma guerra civil.

E não será uma guerra primordialmente liderada por cidadãos comuns lutando por um governo mais justo.

Será uma guerra dos que há muito são excluídos de tudo, dos que há muito sofrem todos os tipos de castigos sociais, dos que não têm nada, contra os que têm tudo.

Mas, quando essa guerra acontecer, nada será poupado. Até porque, dadas as inúmeras falhas do Brasil e a inexistência de políticas sociais verdadeiramente profundas, essa guerra só fará sentido se tudo for destruído. Se tudo for demolido para que se comece do zero.

Cairão e sofrerão as consequências todos os que não tiverem dinheiro e tempo para fugirem para o exterior. E as classes hoje à margem, farão questão de humilhar a todos os que tiverem medo*. Porque os que terão medo serão todos os que não estarão com eles.

E dado o total caos da situação, o Brasil mais uma vez não conseguirá consertar o problema, não terá como conter as massas enfurecidas e o caos que toda guerra traz.

E os outros países se verão na condição de intervir no corpo a corpo da situação. Tropas chegarão, bombas serão lançadas, ordens serão dadas. O Brasil será destruído. As massas que tanto sofreram, sofrerão mais uma vez. Tudo ficará vermelho.

E no fim disso tudo, é provavel que nenhum de nós mais existiremos. Mas os que restarem, terão o país que veio "lutar por nós" [advinha que país será esse?] a comandar literalmente as terras em que fincou bandeira e ganhou em batalha.


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E o pior de tudo: essa realidade já começou.



* vejam Cubas e seu Prudêncio

> oxalá que essa seja uma visão viajante e pessimista da coisa, e que na verdade o futuro de nosso país trapalhão se mostre bem diferente!

[aquele homem]

É o símbolo em si. Fonte de tanto quanto guarda o espírito humano: amor, medo, controle, exemplo, dedicação, bobagem, ilusão, desilusão, força, fraqueza, colo, cuidados, sorrisos, raivas... Suas dicotomias são infinitas. Cada um tem um e cada um sabe o que tem. E os que não têm ou nunca tiveram, ou fantasiam sobre ele, ou sentem saudades, ou dão graças dele ter-se ido.

Não são sagrados, pois são, aprendemos, falhos.

Mas nos representam, bem ou mal, origem.

Os que os têm como exemplo do bem, que graça, crescem tendo nele fonte de inspiração.

Os que os têm como não-inspiração, o usam também como exemplo do que não deve ser seguido.

Mas, no entanto, sejam como forem, são suas ações para conosco uma grande parte de quem somos. Do que respeitamos ou não em um homem [sejamos homem ou mulher], do que concordamos ou não em um ser humano, do que admiramos ou não, de nossas noções do que caracteriza ou não um líder.

Não é preciso buscar fontes psicológicas, não é sequer necessário falar em Freud.

Esse homem, nosso pai, sabemos, já foi reponsável por muitas de nossas alegrias ou tristezas.

Aprendemos ao longo da vida que esse significado se extende infinitamente no campo simbólico: pai Deus, pai Tempo, pai Conhecimento, pai Fome, pai Dor, Pai Dinheiro, pai Poder...

Suas catalogações beiram o próprio imaginário humano. Pode ser tanto quando o que pode ser concreto ou pensado.

Aos felizardos da vida, existe um exemplo mais próximo, mais palpável, mais real: um pai que foi sempre [ou aprendeu a ser], amigo.

À esses, merecedores do dia de hoje, muitos sorrisos, por serem simplesmente belos.

Sunday, July 30, 2006



[expectativas]

Existem duas comunidades no orkut que, por mais que vez por outra me tentem, eu sempre percebo que não caibo nelas: odeio politicamente corretos e odeio pseudo intelectuais.

E as razões são até bem simples: 1. uma vez que sei tão superficialmente sobre a maioria dos autores que cito, me qualifico instantaneamente como uma pseudo-intelectual [embora saiba a linha que me separa dos sem-noção] e 2. sou politicamente correta [e isso sou praticamente cem por cento].

Por que resolvi começar assim um post que fala sobre expectativas? Hummm.. Give me a minute... Ah, porque uma fina linha separa isso tudo...

Na minha opinião, todos nós temos nossos momentos de pseudo-intelectuais, de politicamente corretos, de caretas, de equilibrados, de mentalmente debilitados...

Todos nós vivemos papéis de mocinhos e de vilões ao longo de nossas vidas.

E as expectativas, bem, já me disseram que o melhor é não criá-las, que elas só atrapalham, que só servem para que inevitavelmente se transformem em decepção.

Já tentaram me passar a filosofia do não espere nada de ninguém.

Já até me disseram que a culpa é de quem cria as expectativas, e não de quem não consegue atingi-las.

Como boa mulher politicamente correta digo: não acho que haja culpados.

Acho que o que existe são visões diferentes. Desejos diferentes. Olhares diferentes sobre o momento e a situação vivida.

Mas acredito sim nas expectativas.

Aliás, as tomo quase como uma filosofia.

Sim.

Amo esperar o melhor das pessoas que amo. Adoro ser surpreendida por elas. Amo vê-las crescerem diante dos meus olhos. Se transformarem em borboletas que voam cada vez mais alto.

Não esperar nada de ninguém? Hã? Não, não eu. Sinto muito, mas não eu. Eu espero sim. Espero por simplesmente conhecer as pessoas de quem espero. Simplesmente por saber ver sua beleza, sua imensidão, sua grande capacidade de ser incrível.

Se já sofri por isso? Claro! Se já me decepcionei? Sim.

Ainda assim, vejo as expectativas como combustível de sonhos.

E crio expectativas em torno de mim mesma até: me dando prazos específicos para atingir tal meta, imaginando o que quero para mim, para minha vida.

Se vou frustrar essas expectativas? Algumas sim. Outras não.

Mas como elas sequer poderiam ser consideradas possíveis de serem realidade um dia, se não as criasse?

Não criar expectativas? Por favor!

Se há alguém que devesse gritar isso, seria a vida. Não as pessoas. Não as pessoas.

Somos criadores de expectativas naturais.

Do que queremos do nosso amor, dos nossos amigos, do nosso trabalho, dos nossos planos, dos nossos filhos, dos nossos irmãos, dos nossos pais, do nosso dia, até.

Óbvio que vivemos em um mundo aonde a desconstrução é bem mais comum e acessível que a construção.

E expectativas não atingidas às vezes nos levam a um caminho de desconstrução que, quando levado a extremos, é muitas vezes sem volta.
E há que se ter cuidado com isso.

Momentos devem ser respeitados. Essências devem ser reconhecidas. Deve-se saber o que se quer e, uma vez certos disso, segurar firmemente.

Mas é bom saber que as expectativas são sim como uma bandeira de reconhecimento.
Expectativas nunca atingidas não são um bom sinal.

Porque a verdade é, receio, que expectativas são muitas vezes um indicativo não apenas do que se espera, mas do que se quer.

E não falo apenas emocionalmente, mas racionalmente: são um sinal do equilíbrio entre o que se dá e o que se recebe.
Do que é e do que poderia ser.

E nós todos temos os mesmos medos: de não conseguirmos ser felizes, de acabarmos sozinhos, do nosso amor nos deixar, dos nossos filhos se tornarem pessoas tristes, de nos tornarmos amargos, de não sermos bem-sucedidos, de não termos o dinheiro necessário no fim do mês, da morte, de adoecer, de envelhecer sozinhos, de engordar demais, de não conseguir realizar nenhum de nossos sonhos ou planos, de se machucar, de perder o que achamos importante...

Não criar expectativas? Isso não me parece sequer lógico.

No entanto também não parece nada simples, não é?
Mas, em se tratando de humanos, o que é?

Só sei que continuarei criando expectativas.

Até porque, quando acordo de manhã, eu quero ter um bom dia.




Friday, July 28, 2006


[vale a pena relembrar]

São posts passados. Palavras já publicadas. Sentimos cíclicos.
Ollhando o ontem pela casa mãe, resolvi re-postar coisas antigas.

Tão bom lembrar que algumas coisas não são mais importantes e que outras sempre serão! :]

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[Vê]

Chuta o balde
Que te enche a mente
Canta a música
Que te faz crente
Dá adeus
Aos apertos de mãos
Às caras fechadas
Às expressões amarradas
Em si
Sua teu suor
Válido
Emite o som
Que conta [e canta] [e encanta]
Ama as glórias e as perdas
Chora as lágrimas e os sorrisos
E produz teu sal
É essa tua única certeza
É esse teu sonho
Teu dinheiro
Teu bem
Clama à tua vontade suprimida
À teu sentimento escondido
À teu engatinhar
E então,
Lava tuas mãos
E arruma teus cabelos
E coloca um pé em frente ao outro
Um pé em frente ao outro
Um pé em frente ao outro...

19 de Maio de 2004
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[Pálpebras Fechadas]

Carinhos
Doces palavras que abraçam
Que sussuram no ouvido
Um som azul.
Fechar os olhos
É comprar bilhete
E viajar.

30 de Agosto de 2004
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[Para nós que vivemos de um lado para o outro]

Calma. É uma palavra mágica e é o que se precisa no mundo. Falo também por mim. Falo também tentando convencer e conscientizar a mim. Calma! Vamos com calma! Tenhamos calma com a vida, com os problemas, com os desafios, com as derrotas, com as vitórias, com as pessoas... Acima de tudo, com as pessoas... Essas pessoas burras, insensíveis, hipócritas, falhas, como todos nós somos... Calma... Porque a vida é a junção de minutos, de momentos... nada mais... Calma, porque não sabemos sobre o hoje ou o amanhã e porque até o passado não entendemos... Calma por sermos tão finitos, tão rasos, tão cheios de falta de percepção. Calma, com a própria calma: equilíbrio. Calma com o mundo, calma com as guerras, calma com o dinheiro, com a glória, com a miséria, com o sim, com o não... Calma por sermos sozinhos em nós...Por esperarmos tanto: tão mais que o que podem nos dar... Calma por sermos tão bobos, tão lindos, tão loucos... Calma por acreditarmos ou por deixarmos de acreditar... Calma por sermos bons e maus em nossa essência... Calma por sermos humanos... Apenas, calma. É disso que precisamos.

13 de Junho de 2004



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perfeito: meu pai abrindo a porta do meu quarto e dizendo com um sorriso absolutamente lindo "diz aí, mestra!"

meu garoto, meu garoto! Como te amo! Como te amo! :]

Sunday, July 23, 2006


[obrigada]

Na vida temos alguns desses preciosos momentos: de pessoas queridas que nos dão exatamente o que estávamos precisando; que falam as palavras que o cérebro ecoou mil vezes, mas que precisava ouvir da voz de outra pessoa para se assegurar de sua veracidade.

Em momentos de incerteza, que tanto pesam e em que tantos caminhos parecem ser o certo, é às vezes uma voz dessa que lhe faz perceber um elemento antes não visto com tal relevância. E é preciso que seja uma voz amiga a lhe jogar na cara uma verdade encoberta para sua própria defesa.

Hoje passei o dia escondida do mundo. Causei estranheza a todos os que tentaram se comunicar comigo durante o dia. Meu quarto, meu templo. Meu cérebro, meu algoz.

À noite, um telefonema querido me soou como um abraço. "Vamos?" "Vamos". E fui.

E derramei o balde inteiro dos pensamentos diurnos. E chorei e me deixei ser insegura, e me deixei ser caos.

E fui carregada no colo. Que delícia. Fui carregada no colo.

Não com uma passada de mão na cabeça [que, confesso, me faz arredia], mas com verdades ditas a mim com a franqueza de quem me conhece, de quem sabe de mim, de meus defeitos, de minhas ações, de meus por quês.

E ela me abençoou com a verdade e me mostrou com clareza que meus pensamentos tinham razão de ser.

E eu que saí de casa tão pesada, tão calada, tão incerta, voltei, pela primeira vez em tanto tempo, renovada, recarregada, com pé fincado ao chão e peito cheio de ar.

Ela me faz crescer.
E eu a amo.





[o ponto]

um pequeno pontinho
assim, mesmo pequenininho
traz juntinho consigo
todo um grande final

.

um pequeno pontinho
grita no fim da palavra
fecha a boca que fala
e mostra que é um sinal

.

um pequeno pontinho
mesmo todo redondinho
chega forte e paralisa
o diálogo mais normal

.

um pequeno pontinho
é assim necessário
para um novo Começo
para que haja um final.




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Porque só podemos entrar em um novo caminho, quando saímos do antigo.
E essa é a decisão que tomei.

Friday, July 21, 2006



[the things I do still believe - for sure]

Like I always say: I believe in tomorrows. Not just the actual time, but the concept in itself. I believe in life. The things that happen all around us. I believe in fragments, but I also believe in wholesome. I believe we all have little pieces of ourselves scattered around us. And that some of those pieces we will get back one day, and some we won't.

And I'm not talking just about men in women's lives and women in man's lives. It's much deeper than that obvious layer. To my greater satisfaction: to me and to the few friends life brought me, that is not the most important thing in our existence. I've always felt that there are many smiles I want before that smile is given me. And perhaps that's why some men do find me intimidating [oh, man, how I wanted to be intimidated myself for a change].

I believe in love. And - a bit chocking, I might add - I think I always will. No matter how many times my stubbornness says I don't. I do. Maybe, maybe, not in my life exactly [mainly because I won't let it, or because my Martian guy hasn't decided to land on Earth yet and tell me firmly the things I need to be told], but, come on, love is happening all around us. And it is a beautiful thing. In fact, it is why we take crappy jobs, and why we manage to have so many bad days, and because no matter how short we are on cash, that smile from that dear person always brings our own smile.

And that's precisely why I believe in friendship. Because it has to be from pure love.

Only a real friendship survives time and the misunderstandings life always brings along with itself.

Only bad moments will let you know of true relationships.

Because anyone and anything can get through good times.

It's as simple as that, I'm afraid.

And I do love the simple things. I love to watch construction workers at lunchtime [eating that big pile of food with an also big spoon and with such a great satisfaction that it nearly seems as a kings meal], and I love to watch new lovers [when everything is so fresh and exciting, and every little detail counts], and I love when a child plays by him/herself [has anyone seen it? Its nearly a perfect moment: when a pure reason meets an also pure emotion]. I love so many things. To my wonder and a yet not understood reason, I am good at seeing life. I sometimes can sense things that I know the people around me can't. That sometimes scares me. Can I call it a gift or just a really tacky way of being a drama queen?

Well, I guess I still have some years of life to figure that out.

While paths are created again and again everyday, and ends annunciate new beginnings, I realize that - for now, at least - I'm better as a people watcher. May the world [or the little bit of the world I can afford] be my window. I'll leave the shopping for later on.

And I'm ok with that.

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ps: certo. eu assumo a porcentagem de Charlotte que há em mim. tava mais do que na hora, né?

Wednesday, July 19, 2006


[Postar & Publicar]

É que a vida de estranhos anda me emocionando, e isso não é lá tão divertido.

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Agora fazendo pequenas idealizações acerca dos anos que a gente vai acumulando [e tento aqui deixar de lado meu complexo de velha], pergunto-me sobre a música.

Sim, a música: a complexidade de todos os mitos, o universo do sentir, a poesia [que é a única capaz de conter todos os elementos que compõem a vida].

[Será a poesia Deus?]

Campbell dizia que quem pode escutar a música, guarda nessa capacidade a própria essência da felicidade, do universo oceânico do acreditar.

Soa tudo um tanto ideológico? Fantástico demais? Viagem pura?

Nem tanto...

Eu não deixo de acreditar nisso tudo. Não deixo!

[assim, com ponto de exclamação]

E embora tenha conseguido entrar sabe lá como num cantinho não muito agradável, e estar ainda lutando para tentar sair dele, as inconstâncias servem para que nós saibamos o que há de constante.

Isso mesmo.

É que ando percebendo que os clichês têm razão de ser.

Outro dia passeando por aí me deparei com uma frase que dizia que o céu é um espelho. E por isso é azul como o mar.

Pois olhe só. E eu vivi esse tempo todo sem me tocar disso! Que coisa mais perfeitinha!

É claro!

No entanto, penso agora, o céu não devia ser espelho.
Espelhos só mostram opostos.

O céu devia ser um abraço.
Pronto. É isso o que o céu é para mim.

[porque cabe a cada um de nós buscar seus próprios significados]

Monday, July 17, 2006



[sigh]

...porque a vida parece tão simples nas músicas de marisa...

[novo cd universo ao meu redor]

Saturday, July 15, 2006



[sabe-se]

É que eu acho simplesmente brilhante quando nós mulheres nos entendemos. Sim, porque não é sempre e, convenhamos, somos muitas vezes nós mesmas que dificultamos a vida umas das outras [até porque nenhum instrumento é tão hábil na hora de achar uma mulher sem noção como outra mulher - daí, já que tudo é relativo, perceba que o ciclo é infinito], mas, enfim, como eu ia dizendo, frases como as ditas ao se posar para uma foto: "da cintura para cima, hein, olha lá", ou olhares que valem por mil diálogos [que, óbvio, não deixarão de ser travados depois], ou simplesmente o fato de dizer "meu salto está me matando" e saber que a que ouviu a estará entendendo perfeitamente.

Seinfeld [meu querido gênio] diria que essas são as maravilhas de se pertencer a uma coligação.

Nós, elucidadoras de todos os segredos impenetráveis ao universo masculino [sim, verdade, nós todas sabemos], quando nos entendemos, somos, bem dizer, imbatíveis.

[frase boa de se dizer assim, cheia de vírgulas e pausas, que é para se curtir a delícia de falá-la]

Poderão eles realmente algum dia nos entenderem?

Saberão eles identificarem um olhar? Uma expressão? Uma frase dita de canto de boca, um pensamento destoante da frase que sai junto com as palavras?

Serão sempre necessárias instruções [nossa, que palavra horrível] angustiantes, frases repetidas com a constância da frustração, sim's que querem dizer não, não's que querem dizer sim?

São perguntas constantemente feitas por nossa coligação. Acho, na verdade, que as respostas a elas, eles sequer podem nos dar. Tão grande é o abismo que nos separa.

Uma colega recentemente me falou a seguinte frase ao conversarmos [sabe-se lá por quê, me pergunto agora] sobre relacionamentos: "Não tenho o que reclamar do meu homem. Ele é ótimo. Agora, assim, é homem, né? Eles nunca sabem o que a gente queria que eles soubessem".

Hummm...


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[largo assim, sem fim, esta história. até porque as músicas de nelson gonçalves ainda me embalam. e, teimosa, ainda quero ser entendida]
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ps1: porque amei esta perfeita e literal descrição: "a gente nem precisa estar no meio da festa. a gente faz festa sozinha"

ps2: não é que o vermelho tem me parecido uma boa idéia?
[é que às vezes basta que eu saiba]



Thursday, July 13, 2006



[des-acessorada]

É que eu ando por aí e vejo as meninas e mulheres de colares no pescoço e roupinhas bem-transadas e pulseiras e madeixas, e cílios e batom, e bolsas e sandálias, e saias e fivelas...

E me pergunto aonde foi que eu enfiei minha vaidade... Minha teoria mais estável é que eu a esqueci [pra variar] no útero de D. Socorro, e ela - a vaidade - acabou vindo com o último ocupante: meu irmão caçula. Que é um homem pintoso e cheio de estilo.

Eu, cá, se coloco um colarzinho pequetitinho no pescoço, já me parece uma melancia pendurada. E fico com a impressão que está todo mundo, aonde quer que eu vá, olhando para mim.

Então, pode-se dizer, que o mercado de bijuterias [e moda em geral] não sobrevive lá por minha causa...

Tuesday, July 11, 2006



[pronto, terminei]

Agora já posso voltar


.

Sunday, July 09, 2006



[desorganizada]

Não é algo de hoje. O berço já tinha brinquedos de todas as cores e tamanhos por baixo de mamadeira e cobertor, tenho certeza. Uma vez li uma matéria em algum canto [em algum tempo, que alguém escreveu - memória patológica, como muitos já sabem] que falava que certas características de uma pessoa indicam não simplesmente sua forma de ser, mas sua maneira de encarar a vida.

É bem verdade que tenho tentado melhorar. Tudo deixa de ser tragicômico quando você não apenas não lembra aonde guardou o arquivo, mas também o nome que o deu. Tsc tsc tsc. É trágico apenas.

Mas nem tanto. Dramática sempre, não tem jeito.

O que mais amo em ser desorganizada: me redescobrir sempre. São textos e poemas que não lembrava que havia feito e que, quando descubro por acaso em alguma página de caderno esquecida, ou em algum arquivo de nome para lá de temporário, sorrio feliz por me reconhecer nele. Ou reconhecer o que senti quando escrevi ou que senti depois de escrever.

[porque escrever é, para mim, mandar o ruim embora e tatuar o bom em mim]

Ou até mesmo alguma coisinha, algum cartão recebido há tanto tempo, alguma lembrança que me surge assim, de repente, como que da primeira vez. Memórias long gone que me revisitam.

Me sinto* uma velhinha caduca: sempre descobrindo coisas antigas, constantemente. E isso amo. Com certeza.
Me tira uma grande fatia entediante: tudo é sempre novo um dia.

O ruim em ser desorganizada: primeiro, é extremamente desconcertante. Acho que todos já descobriram que o ser humano precisa sempre dizer que venceu o caos, que conseguiu ordenar o mundo a sua volta, conquistá-lo, domá-lo. Segundo, é um bicho solto dentro de mim. Mesmo quando eu decido organizar tudo, pôr tudo em seu devido local e ordem, se eu não estiver sempre me regulando, me vigiando, me relembrando, não dá outra... tudo volta a reinar em seus indevidos lugares.

É como toda luta: às vezes se vence, às vezes não. Óbvio que para o bem-estar daqueles que adentram meu quarto, tento manter certa disciplina. Mas, chegando sem aviso, digo logo, uma ou outra roupa estará no armador do quarto e a outra metade da minha cama gigante estará com os livros que folheei na noite anterior. A sandália de todo dia estará debaixo da escrivaninha e as pilhas recarregáveis [que nunca lembro que estão descarregadas até que precise delas] estarão no guarda-papel em cima do som. É fato.

É bem verdade que já levo tanta coisa tão a sério que acho bom que certas ordens não sejam para mim a coisa mais importante do mundo. E quem disse que o tempo não conta? Conta, sim. Começa no zero e não pára mais de contar. Daí o bom disso é ir se descobrindo vivente, aprendiz, ir saboreando o que vai surgindo... novas pessoas, velhos sonhos, pequenos detalhes, delicadezas inesperadas.

Eu, Lana Nóbrega, sou aprendiz. O resto é desculpável.
Então, já que o altar não tem me chamado, uso este divã gratuito para gritar:

Que toda a culpa de todos os lados sejam neste minuto esquecidas.
Somos todos tão falhos. Tão bobos. Tão fracos.
E, ao momento, tudo cabe. Ao contexto, tudo se explica.
Seria bom que isso fosse sempre percebido.

Sentir justifica toda ação?
Óbvio que não.
Há que existir um filtro. Algo que permeie o lógico. O sensível.
Ainda assim acho essencial que as pessoas aprendam a ler nas entrelinhas.

Nem tudo deve ser dito sempre.
Isso cansa.
Conhecer alguém, ou se sentir conhecido, requer percepção.
Bem-querer, cuidar, dar colo: requer percepção.
Reconhecimento de um momento, de um contexto.

E, por incrível que pareça, ainda falo de organização.

E, mais uma vez, louvo aos céus minha memória inválida.
Porque esquecer às vezes é essencial.

Agora dou um beijo em quem quer que esteja lendo isto agora, mas com uma condição:
que assim que me vejam, me devolvam o beijo! ;]


* Assumo o português por mim seguido: meus pronomes vêm antes. Se precisar de uma desculpa, diz aí que é licença poética que isso parece funcionar sempre.

PS: obrigada, meus cinco dedos, por serem raposas para mim.

Saturday, July 08, 2006


[folha]

Cresce.
Surge pequena e cresce.
São muitas, eu sei
Mas cresce assim mesmo
A coragem não é surgir entre poucos
Mas surgir entre muitos.

Vem, cresce.


***

[significado]

Continuidade
Do verbo continuar
Ação de repetir constantemente
Algo já previamente feito
Ou, quem sabe,
De retomar algo
Depois de um intervalo de tempo
E, também,
Seguir em frente.
Assim,
Colocando um pé na frente do outro mesmo.


***

[cochicho]

Tudo o que eu sei
É que quem sabia, já não sabe mais
E que quem não sabia
Não saberá jamais.


__________________________
porque decidi deixar ela voltar

[minha poesia]


[profilaxia]

Agora os que têm plano de saúde pela geap [minha mãe é funcionária pública aposentada] têm um trunfo a mais neste irretócavel serviço de atendimento saudável: a profilaxia. Aparentemente, antes de tratar uma cárie que esteja causando dor extrema a cada ingestão de temperatura mais elevada, ou antes de tratar um canal que esteja misericordiamente gritando do fundo da boca, ou até antes de deixar-se mergulhar no mundo mágico do clareamente dentário, uma nova burocrac... err.. digo, um novo método organizacional foi criado: há de se ir antes a um dentista registrado na pequena bíblia do plano não saudável para fazer uma mágica limpeza nos dentes para que esse veja se o sintoma reclamado não é, perdoem-me o vocabulário, frescura da boca do associado. Então se marca a tal da profilaxia e, depois, com a benção nas mãos, segue-se para o dito especialista.

Daí comecei a refletir cá um bocado... não seria interessante se essa filosofia profilaxional :] pudesse ser extendida para tudo mais?

Digamos: lá vem o moço, bonito, pintoso, daqueles de ser olhar logo com o canto do olho. De se olhar para cima, de se olhar no olho. Daí, antes dele chegar na sua pessoa e se mostrar, digamos, um tanto menos nobre do que pareceu à primeira vista, você o encaminha naturalmente para o setor de profilaxia.

Lá ele seria avaliado, checado, limpo, selecionado, e, mais importante, detectado.

Uma vez conhecida sua real personalidade, ele seria então encaminhado a você.
Com fichinha na mão e tudo.

Aí você decidiria o que fazer com o tal moço.

Óbvio que seria um serviço duplo, claro.
Eles também são vítimas do nosso gênero muitas vezes.

O fato é que o chefe, o moço, a moça, a empregada, a vizinha, o funcionário, o cachorro... todos passariam pela profilaxia organizacional, para que, digamos, tudo ficasse um tanto mais óbvio, mais claro, coisa de uma camada só mesmo.

Mas a beleza da profilaxia só existe para retardar o tratamento dos meus dentes, né? Agora ao invés de arranjar tempo para ir para 1 antendimento, eu tenho que ir para 2.
Um para que o dentista me diga realmente que eu preciso ir para um dentista, e outro para começar a longa maratona de resolver realmente o problema dentário [não tenho lá muita sorte com dentistas].

Eu? Bom...
Eu próxima semana, estou quase certa, de dedos cruzados e terço na mão, que minha profilaxia indicará que posso seguir adiante.


Thursday, July 06, 2006


[olha ali, mais pro lado, tá?]

Fiz um compromisso inafiançável comigo mesma: ser feliz.

No entanto, que boba, o espelho me diz logo: boba, boba, boba...

Onde é que já se viu, eu, canceriana [aprendi recentemente sobre essas coisas e ainda sou estagiária nelas], melosa, materna, super-protetora de dar raiva e nó nas paciências alheias, que manda o deus do sono passear, que pensa na morte da bezerra, que fica feliz com o sorriso do povo, onde já se viu, onde já se viu fazer um compromisso desses??

Pois é, nega, pois é.
Da próxima vez, vê se faz um compromisso mais fácil, tá?
De preferência um que dependa de você.

+++++
quero meu sangue bem, quero meu sangue bem, quero meu sangue bem.
[que isso seja uma oração]

Amém.

Wednesday, July 05, 2006


[versão dois ponto sete]

Eu sempre volto. As palavras me chamam... é um caso de amor sem fim, graças a Deus.

É tanto que eu nunca apago estes cantinhos... deixo eles ali... me esperando para quando eu resolver voltar... eu gosto de voltar. Adoro ir embora, muitas vezes até preciso ir embora, mas também adoro voltar... às vezes não pelos motivos mais nobres, é verdade, mas ainda assim...

Brasil não será hexa. Pelo menos não desta vez [notícia velha já]. Me pergunto se esses moços não deveriam fazer um estágio na Brasil antes de viajar [ênfase nesta palavra] para a copa. Quem sabe assim se lembrariam de onde vêm, para que vão, o que representam, qual é verdadeiramente sua luta; já que independente do resultado, ganham suas fortunas e fazem suas festas regadas a mansão e caviar. Já Felipão não levou seu merecido título. Mas ao menos a Itália provou que enquanto há tempo, há chances. Ou melhor, enquanto se quer realmente fazer algo acontecer, sem tem garra até o último minuto para fazê-lo.

Realmente não sei nada de futebol. Nadica de nada. E, para falar a verdade, mesmo admirando encantada as amigas que entendem, não é lá um aprendizado que me interessa não.

Rá. Mas por que misturar tudo assim? Esse horror de assuntos, tudo liquidificado?

1. Porque faz tempo. Faz muito tempo que não me permito muita coisa. Então há muito o que ser trazido 'up to date'. O que traz sim essa vontade de falar tudo de uma vez, engolindo as palavras e economizando vírgulas.

e

2. Porque me sinto assim: misturada. [não, isso não é lá tão bom]

> É fato que o futuro às vezes me assusta, mas acredito piamente na inteligência da vida.

A auto-censura ainda vem me visitar. Há coisas que ainda não podem ser ditas. Mas chegará seu tempo. Chega o tempo para tudo.

O que aprendi desta nova versão recentemente lançada no mercado? Nossa. Tanta coisa.

A mais importante? a versão 2.6 me foi essencial.
Ela viveu dilemas e problemas nunca antes vividos. Entrou em tempestade desprotegida. Se viu perdida, triste, só, confusa... e ainda assim achou sonhos em meio a confusão. Achou luz aonde só parecia haver caos. E o mais importante de tudo: achou-se.

A versão 2.6 saiu de linha, é verdade.
Com certeza não é mais a mesma. E isso precisa ser dito.

Mas o novo modelo 2.7 está aí. Renovado, cheio de garra, soltando sementes pela vida afora...
E doida que o vento leve uma dessas sementes para longe...

Mas isso já é outra história.
Raízes foram criadas. E nem todas elas devem ser podadas.
O passado é algo lindo.
Realmente é.
E é justo que continue sendo.

O que mais quero de mim agora?
Mais força.
Mais garra.
Para fazer acontecer o que me embala o travesseiro...

Já falei que tenho um metro e setenta e três?
Pois é. Nem sou tão grande quanto pensam que sou.
E estava na hora disso ser falado.

O fato é que quero o que sou.
Quero igualdade.
Quero a virtude, que está no meio, em todas as extremidades.

Eterna sonhadora?
Provavelmente.

Graças a Deus.

Não quero nunca me perder.







Thursday, February 16, 2006


[Nem só de desejos...]

São muitos os clichês que falam da circularidade da vida... é 'um dia atrás do outro', 'a fila anda', 'o tempo tudo conserta', 'amanhã é outro dia', etc. Todos eles não mentem: o tempo é sim um grande pai, para o mal e para o bem.

Falo isso por razões internas, por pessoas novas, por novos sorrisos e velhos sonhos.

Tudo muito dúbio, muito cochichado, colocado no meio de uma oração até.

Enquanto isso, na sala da justiça:

> Sempre que posso tiro o bombom ou chiclete da boca para ver como ele está - hábito a que me conservo fiel desde os seis anos de idade.

> Minhas melhores idéias nascem quando todos dormem

> Muitas vezes pareço os vilões de desenho animado: faço loooongos monólogos dentro de mim

Friday, February 10, 2006


[Minhas pernas já não agüentam!]

Eis o que açucedeu: da longa lista de dvds de minha vontade, vinha especialmente acompanhando o paradeiro do meu lindo tomate [Tomates Verdes Fritos], que até pouco tempo não tinha sido lançado em Dvd.

Bom, ano passado, entrando no E-Bay, tomei conhecimento de que o dvd acabara de ser produzido. Próximo passo: ver quando ele chegaria ao Brasil. Mas eis que a vida toma vários rumos e lança várias outras prioridades e eu esqueci de ficar no calço do querido e estimado. Foi quando me deu a louca de fazer uma lista dos dvds que quero, e acabei descobrindo no meio do caminho que há dois meses o bendito dvd foi lançado naquelas Revista Dvd POR R$ 9,90!!! É para enlouquecer o caminhão, viu?

Lá se fui eu, parando em cada banca da cidade, até que me lembrei que na Americanas se vende a tal revista.

E, imagine a cena: dá-lhe eu sentada, acocorada, ajoelhada, de pé, fazendo pilhas e pilhas de dvds nas estantes da Americana enquanto minha fiel recruta [super mãe] mergulhava numa daquelas bacias gigantes em que ficam vários títulos convivendo num caos para lá de não disciplinado.

Duas horas depois... Nada de Tomates, mas achei dvds pra todo mundo da família: mamãe que saiu com um do papa, papai que reviu feliz feliz a Bonanza, meu irmão que tem mais um do Jackie Chan e meu amor que ganhou um do Paul que queria...

...Sim, e uma outra companheira de caça que, graças a minha mãe, ganhou o dia com um filme lá do Chocolate e não sei mais o quê que sua filha que dá aulas de cinema em Sorbonne encomendou! É mole? :]

Bom, as pernas tinham horas que já estavam para lá de dormentes, mas não desisti da maratona ainda não. Há outras bancas e americanas por aí.
E, em último caso, espertinhos vendendo ele mais caro no ML.


Thursday, February 09, 2006

[Não tão leve, mas com certeza solta]


Pois é. Bem que dentro do meu atual cotidiano cabe uma rede... Uma grande rede de sonhos, de tentativas, de marasmo até...
Mas os dedos têm fugido do teclado e me pergunto se não é porque eu, que sempre fui um ser de casa, o tenho sido mais que nunca.

A saúde tá uma droga. Todo tipo de saúde. E tudo esbarra [começa] no que tem nessa caixinha cinza que carregamos nos ombros.
Mas felicidades também circundam minha vida.
Pequenas grandes conquistas.
No recomeço estudantil.
Nos afazeres do coração.
Nos sorrisos dos velhos guerreiros.

Sabe aquela frase "sou passageiro de mim"? Nunca me senti tão passageira de mim.

E se faltam palavras e - ainda mais - fatos que me comovam a jogar no mundo virtual meus devaneios, esses existem em abundância neste corpo grande que vos fala.
E tenho saudades.

Tenho saudades de minhas amigas.

Tenho saudade de querer ser mais social. Mas, no momento, estar com mais de duas pessoas não me incute desejo algum.

Que tenho eu a dizer à sociedade?
Falo com meus perros. Que lançam em mim diálogos lindos. Estamos já já - eu e eles - conseguindo um título em Auaulogia.
Para tal, não preciso do dinheiro que não tenho, dos estudos que não consegui, das viagens que os aviões levam embora ou da casa do caracol.
Estamos nos entendendo bem. Dia desses eu faço um dicionário Au Au - Português * Português - Au Au e quem sabe alguém queira decerto as palavras que delineio.

"o pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar"
...Mas 'felicidade não foi embora, não'. felicidade me espera na esquina e me sorri de vez em quando me pedindo pra ter calma :]

***
Meu ouvido certo: ela

Thursday, December 08, 2005


Vem de lá

Creio que peco por minhas constâncias e inconstâncias. Que escolho errado os momentos que me vêm. Eu, ser protetor, confesso: é minha culpa.
Uma data se delineou à minha frente e eu tive medo. Por quê? Acho que sou um pólipo, acho que é esse bichinho o bicho que eu sou.

Quer que eu te descreva? Que fale da tua vida? Te teça elogios? Te emocione?
É tão simples! É tudo tão simples!

Difícil é eu encontrar a linha reta que meus pés querem seguir.